Ministro das Finanças de São Tomé admite que salário mínimo está "aquém do desejável"

por Lusa

O ministro das Finanças são-tomense admitiu que o salário mínimo de 2.500 dobras (100 euros) que acordou com os sindicatos "está aquém do desejável" para assegurar o cabaz mínimo dos cidadãos, mas é o possível dentro das limitações orçamentais.

"Mesmo os 100 euros, para o dia a dia, para o cabaz mínimo das pessoas, ainda está aquém do que é desejável. Mas é um esforço que o Governo está a fazer dentro das limitações orçamentais, dentro do programa que tem com o Fundo Monetário Internacional", disse Engrácio Graça à Lusa, à margem dos encontros anuais do Banco Africano de Desenvolvimento, em Acra, no Gana.

O Governo são-tomense e os sindicatos da função pública retomaram na semana passada o acordo de aumento do salário mínimo em 2.500 dobras (100 euros) anulando o aumento aprovado unilateralmente pelo executivo e a greve que estava prevista.

À Lusa, Graça explicou que este aumento se insere num "processo em curso da melhoria do rendimento das pessoas" que atualmente ganham 1.100 dobras (40 euros).

"Perguntar-me-ão, mas é sustentável isto? É sustentável, desde logo, porque o povo, a população, a classe trabalhadora precisa desse recurso", afirmou, acrescentando que o executivo vai "procurar formas de poder dar sustentabilidade" a esta medida.

Para o ministro, é possível fazer "ajustamentos, ou seja, com os mesmos recursos, com a mesma massa", é possível melhorar os rendimentos das pessoas.

A decisão do Governo de voltar ao acordo de aumento do salário mínimo para 2.500 dobras surgiu dias depois de o executivo aprovar unilateralmente o aumento do rendimento mínimo dos funcionários públicos para 2.000 dobras (80 euros), considerando que "a conjuntura atual" não permitia cumprir o valor acordado com os sindicatos.

Perante a resposta das centrais sindicais, que abandonaram uma reunião com o ministro e anunciaram "um ponto de rotura", anunciando uma greve, Engrácio Graça recuou e aceitou voltar ao valor inicial.

Questionado então sobre o que levou o executivo a mudar de posição, Engrácio Graça, defendeu que "o Governo tem de ser sensível à situação em que as pessoas vivem".

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