Operadores turísticos em Timor-Leste reportam quedas acentuadas em visitantes

| Economia

Operadores turísticos em Timor-Leste estão a registar quebras significativas em visitantes, especialmente de um mercado nicho de residentes na Indonésia que visitam o país para renovar vistos, devido ao elevado preço das viagens aéreas.

"Estamos a ter uma quebra muito significativa. A situação agravou-se em particular desde outubro", contou à Lusa Kym Louise Miller, responsável da Backroad Lorosa`e que opera o `hostel` Díli Central Backpackers e a empresa de mergulho Dive Track & Camp.

Os preços das ligações aéreas entre Díli e Bali, na Indonésia, triplicaram - em alguns casos chegaram mesmo a quadruplicar - desde o último trimestre de 2018.

O aumento coincidiu com um processo de concentração e monopólio das empresas que fazem a ligação - Citilink, Nam e Sriwijaya - todas agora dentro do grupo Garuda.

Uma viagem entre as duas cidades - havia entre dois e três voos diários - chegava a custar menos de 200 dólares, ida e volta.

Uma consulta a sites de marcações de viagem online mostra que os preços para o final de março, por exemplo, ultrapassam os 750 dólares, ida e volta.

Comparativamente, a ligação entre Bali e Singapura continua a ser de menos de 200 dólares, ida e volta.

Uma situação que levou esta semana o responsável de um projeto norte-americano de apoio ao setor do turismo a considera que Timor-Leste está a ser mantido refém pelos preços "exorbitantes" das ligações aéreas que agravam as dificuldades do país em desenvolver o turismo.

Peter Semone, da agência de cooperação dos Estados Unidos, USAid e responsável do programa Turismo para Todos disse que as ligações aéreas são o principal exemplo dos obstáculos de conectividade e acessibilidade ao país, onde faltam ligações por ar, mar e terra, convenientes e com preços vantajosos, já que isso é "requisito obrigatório para o turismo".

A situação que já era relativamente séria no passado agravou-se significativamente, com rotas limitadas e preços particularmente elevados, inclusive no voo de ligação a Darwin, na austrália, que "milha por milha, é um dos mais caros do planeta", afirmou.

"As coisas pioraram. O custo do voo para Bali triplicou, a rota para Kupang fechou depois de poucos meses e o voo de Singapura passou a ser semanal", disse.

"O custo de uma semana de ferias em Timor-Leste para alguém de Singapura dava para pagar uma viagem para a Europa", referiu Semone.

Com complexos problemas para resolver no setor do turismo tinha, no último ano visto um aumento de visitantes nas conhecidas "viagens de vistos", saídas obrigatórias de um país para renovação do visto.

Bali foi sempre um dos destinos preferidos para quem está em Timor-Leste e pretende renovar o visto, mas, cada vez mais, estava a crescer o número dos que faziam a viagem inversa, da Indonésia até Díli, para renovar o visto.

Kim Miller recordou que muitos dos visitantes aproveitavam a necessidade de renovar o visto para conhecer um novo país, ficando em média entre sete e 12 dias o que estava a dar algumas receitas aos pequenos e emergentes operadores locais, no transporte e na estadia, em particular fora de Díli.

O mergulho, que já é o grande postal de visitas de Timor-Leste, era outro setor beneficiado pelas visitas.

Só que o preço de viagem até Díli, que era competitivo com o da viagem a Singapura, por exemplo, deixou de o ser o mercado de "viagens de visto" praticamente secou.

Kym Louise Miller diz que empresas do setor do turismo, incluindo uma recém-criada associação hoteleira, tem vindo a tentar chamar a atenção das autoridades timorenses para o problema, mas "pouco ou nada tem sido feito".

Apesar de vários responsáveis timorenses mostrarem preocupação com o assunto, o Governo tem insistido que respeita as "leis do mercado livre" com os preços "a continuarem a aumentar", explica Miller, que vive em Timor-Leste desde setembro de 1999.

Miller disse que as marcações para este mês caíram 47%, face a igual período do ano passado e que a média de queda de estruturas idênticas em Díli é de 69%.

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