Perceção da banca sobre o risco de investir em Angola é exagerada, diz Presidente da CCIPA

| Economia

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal Angola (CCIPA) considerou hoje à Lusa que a perceção da banca sobre o risco de investir em Angola é exagerada e defendeu uma intervenção governamental para facilitar o financiamento.

"A perceção da banca sobre o risco de investir em Angola é provavelmente exagerada, porque normalmente a banca prefere esperar para ver enquanto os empresários avançam logo", disse João Traça em entrevista à Lusa, nas vésperas da visita do primeiro-ministro, António Costa, a Angola, a primeira de um chefe de Estado português a Luanda desde novembro de 2011.

"Quando a perceção de risco é diferente, conseguem-se arranjar os instrumentos financeiros todos, é questão de haver mecanismos e instruments financeiros, e a ideia da perceção de risco vai mudando", acrescentou o advogado da Miranda Law Firm que ocupa a presidência da CCIPA.

Defendendo que é "muito positivo" o lançamento de uma nova linha de crédito para apoiar as exportações portuguesas para Angola, que caíram para quase metade desde a crise dos preços do petróleo, em 2014, João Traça salientou que "Angola é provavelmente o país onde o investimento português é mais acarinhado, e Portugal é onde o investimento angolano é mais acarinhado".

Para o advogado, "não continuar a alimentar esta relação, esta característica, é a perda de uma grande oportunidade porque em mais lado nenhum do mundo os investidores porutugeueus vão conseguir encontrar um país com um código civil pareceido, um sistema judicial parecido, uma língua comum e até restaurantes e práticas alimentares muitíssimos comuns".

Questionado sobre se a imagem internacional de Angola está a melhorar no seguimento da eleição de João Lourenço e das reformas lançadas pelo novo Governo, o presidente da CCIPA respondeu: "O que tenho sentido é que, como me disse um empresário relevante, `a confiança está restaurada`, embora nas organizações com maior dimensão e dependentes de financiamento bancário, todo o processo de tomada de decisão será diferente porque a banca tem de começar a dizer que aceita projetos em Angola, e isso terá de ser trabalhado pelos governos de Portugal e Angola".

Os governantes, apontou, "têm de dizer à banca para acreditarem em Angola e para haver mais relações bilaterais", e daí a importância do lançamento de uma nova linha de crédito, que permita reduzir os riscos que ainda são percecionados pelos investidores.

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