Preocupação com Evergrande leva Wall Street a uma das piores sessões do ano

por Lusa

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em acentuada baixa aquela que foi uma das suas piores sessões do ano, devido à preocupação dos investidores com o conglomerado chinês do imobiliário Evergrande.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones INdiustrial Avergae perdeu 1,78%, para os 33.970,47 pontos, o tecnológico Nasdaq recuou 2,19%, para as 14,713,90 uniddes, e o alargado S&P500 desvalorizou 1,70%, para as 4.357,73.

"A aversão ao risco intensificou-se (...), enquanto as inquietações de contágio aumentaram a propósito da potencial falência do grupo chinês Evergrande, o promotor imobiliário mais endividado do mundo", sintetizam os analistas da Schwab.

O gigante chinês do imobiliário está com dificuldades crescentes em responder pela sua dívida de 300 mil milhões de dólares (256 mil milhões de euros), da qual tem de pagar juros esta semana, e os investidores temem que a sua eventual falência se repercuta em todo o mundo.

Questionada sobre estas inquietações, a porta-voz do presidente dos EUA, Joe Biden, Jen Psaki, relativizou: "Trata-se de uma empresa chinesa, cujas atividades estão sobretudo concentradas na China".

Mas acrescentou: "Dito isto, acompanhamos sempre os mercados mundiais, incluindo a avaliação de todos os riscos para a economia dos EUA e estamos prontos a reagir de maneira apropriada, se necessária".

Para Karl Haeling, do LBBW, "o risco de contágio só existe se as autoridades chinesas deixarem a Evergrande cair totalmente na falência, mas isto não faz sentido para a China, dados os problemas internos e os cortes de emprego que isso ia causar".

Além do receio de um efeito dominó, outros fatores enervaram hoje os investidores em um mercado com alguma instabilidade desde há vários dias, avançou Gregori Volokhine, da Meeschaert Financial Services.

"Não estou convencido de que a China, um país comunista, intervencionista, deixe cair a Evergrande. Para mim, os ventos contrários ao mercado vêm nitidamente de Washington", contrapôs este analista, citando o impasse sobre a subida do limite da dívida pública dos EUA, "que se tornou uma questão política".

Na sua opinião, "está-se a brincar com o fogo, arriscando o fecho do governo, o que, apesar de não ser catastrófico, não dá confiança no curto prazo", realçou Volokhine, que destacou ainda que as dificuldades em fazer aprovar no Congresso o plano de investimentos em infraestruturas, defendido pela Casa Branca, no montante de 1,2 mil milhões de dólares.

Para o estado de tensão dos investidores contribuiu também a próxima reunião do comité da Reserva Federal sobre política monetária, que começa na terça-feira, da qual se esperam sinais quanto à redução do apoio do banco central à economia.

A totalidade dos 11 setores em que se divide o S&P500 fecharam em baixa.

As ações das transportadoras aéreas estiveram entre as poucas que acabaram a subir, a beneficiar do facto de a Casa Branca ir reabrir as fronteiras aos viajantes europeus vacinados contra o novo coronavírus.

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