Projeto no Uganda confirma Total como maior petrolífera na África subsaariana

por Lusa

O investimento de 5 mil milhões de dólares (4,1 mil milhões de euros) da petrolífera Total no Uganda vai alargar ainda mais o domínio da empresa francesa em África, investindo mais do dobro de qualquer outro produtor na África subsaariana.

De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, a Total deverá tomar a Decisão Final de Investimento de 4,2 mil milhões de euros no projeto do Uganda dentro de dias, confirmando o estatuto de maior investidor na região desde 2012.

Os investimentos em exploração e produção atingiram o pico há oito anos, com 6,2 mil milhões de dólares (5,1 mil milhões de euros), e mesmo no seguimento da crise, a petrolífera tem já investimentos previstos de 1,9 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros) em 2021, segundo dados da consultora Wood Mackenzie, mais do dobro de qualquer outro produtor internacional.

O investimento do Uganda prevê a construção de um oleoduto para transportar os mais de mil milhões de barris até à costa leste africana, devendo a produção começar em 2024, o que deverá manter a Total como a petrolífera líder na África subsaariana.

De acordo com o analista da Rystad Energy Pareul Chopra, a Total deverá continuar líder até 2025, e quando se inclui o norte de África, só a italiana ENI faz frente aos números da petrolífera francesa, disputando a liderança.

Para além do Uganda, também o projeto de Moçambique deverá começar a dar fruto mais para o meio da década, apesar da situação de insegurança que se vive no país.

A Total também tem projetos planeados nos dois maiores produtores de petróleo na África subsaariana, Nigéria e Angola, nos próximos anos, e a partir daí "a despesa vai começar a relaxar", conclui o analista da Woodmac Adam Pollard.

A Total apresentou prejuízos recorde de 7.242 milhões de dólares (5.983 milhões de euros) no ano passado, um "ano de transformação" com vista a uma reorientação estratégica focada nas novas energias, o que compara com os lucros de 9.312 milhões de euros registados em 2019.

Este resultado da petrolífera francesa foi causado pelos efeitos negativos da pandemia de covid-19 na atividade económica e pela queda histórica do preço do petróleo, justificou a Total no princípio do ano.

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