Santos Silva diz que subida do `rating` abre "novas oportunidades" de investimento

| Economia

O ministro dos Negócios Estrangeiros destacou hoje as "novas oportunidades" que a subida do `rating` de Portugal abre para colocação da dívida portuguesa junto de investidores institucionais e atribuiu "diplomaticamente" aos portugueses o "mérito principal" desta conquista.

"Alguns dos investidores institucionais, como os fundos de pensões, estão obrigados estatutariamente a só comprar divida com uma certa classificação, de grau de investimento, e portanto o facto de hoje termos a nossa dívida assim classificada por parte da Standard & Poor`s [S&P] abre novas oportunidades para colocação junto de investidores", afirmou Augusto Santos Silva em declarações aos jornalistas à margem de uma visita aos empresários portugueses presentes em Milão, Itália, na maior feira de calçado do mundo -- a MICAM.

Comentando a revisão em alta, na sexta-feira, pela agência de notação financeira S&P do `rating` atribuído à dívida soberana portuguesa de `BB+` (a nota mais elevada de não investimento, descrita como `lixo`) para `BBB-` (a mais baixa de investimento), Santos Silva considerou tratar-se de "uma muito boa notícia porque Portugal".

"Portugal tem desde sexta-feira a sua dívida cotada em grau de investimento por duas agências, incluindo uma das três grandes agências (a S&P), e as outras duas agências já colocaram a dívida pública portuguesa em perspetiva positiva, o que quer dizer que, numa próxima revisão, teremos certamente todas as agências internacionais de `rating` a classificar a divida portuguesa como uma dívida em que vale a pena investir", sustentou.

Questionado pelos jornalistas sobre o debate entre PSD/CDS-PP e PS em torno dos méritos desta melhoria da avaliação da dívida portuguesa, Santos Silva, assumindo-se como "habituado à linguagem diplomática" dado o cargo que ocupa, preferindo apenas afirmar, "de uma forma muito simples e consensual, que o mérito principal pertence aos portugueses".

Já relativamente a uma eventual dificuldade acrescida levantada por esta subida do `rating` da República na negociação com os partidos da esquerda parlamentar do Orçamento do Estado para 2018, o ministro recordou que "a maioria da esquerda parlamentar é mesmo constituída pelo Partido Socialista" e assegurou que o Governo está "comprometido com uma trajetória de reversão do défice e da dívida pública" que é "absolutamente essencial", pelo que "nada" fará "que a possa por em causa".

"Esta subida do `rating` significa que foi possível, como nós sempre dissemos, combinar o rigor financeiro com políticas económicas e sociais mais ativas e que este é o caminho que nós devemos continuar a trilhar", sustentou.

A este propósito, o governante recordou que "a última dívida colocada de Obrigações do Tesouro, portanto dívida a prazos relativamente longos, foi colocada na última quarta-feira com os juros mais baixos das colocações deste ano".

E, salientou, "uma dívida mais bem cotada significa menos encargos com juros para o orçamento português, o que significa que os contribuintes portugueses pagam menos pelo `stock` da dívida".

"Já há dois ou três anos que o nosso saldo primário é positivo, isto é, se descontarmos o que pagamos de juros de dívida, as nossas contas públicas estão equilibradas. Mas ainda temos um `stock` elevado de dívida e, por isso, gastamos por ano ainda muitos milhares de milhões de euros com o serviço de dívida. Quanto menos gastarmos mais recursos temos para outras políticas, incluindo as políticas de incentivos económicos", afirmou.

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