Timor-Leste precisa de mudança de mentalidades e cultura de trabalho defende primeiro-ministro

por Lusa

O primeiro-ministro timorense defendeu hoje uma mudança de mentalidades, um reforço da competência e uma cultura de trabalho e de serviço como essenciais para o desenvolvimento da sociedade e da economia de Timor-Leste.

"É preciso uma mudança de mentalidade, um processo longo que exige tenacidade, trabalho e empenho", afirmou Taur Matan Ruak num debate em Díli.

"É preciso competência. Não somos província, não somos colónia: somos nação. Se não entendemos isso não vamos lidar adequadamente com o que há a fazer. E é preciso uma cultura de trabalho, uma cultura de serviço, paixão", disse ainda.

Taur Matan Ruak falava no arranque das Jornadas Orçamentais, promovidas pelo Governo timorense como arranque formal do processo de preparação do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2020.

O chefe do Governo referiu-se aos enormes desafios que o país enfrenta, com a maioria da população a continuar a viver de agricultura de subsistência ou a procurar pequenos negócios como venda ambulante, ou aos crescentes bairros de lata na capital.

E ainda as dificuldades dos jovens em encontrar emprego depois de concluir os estudos com um grande impacto "na esperança" do futuro.

"Temos muitos recursos naturais, diversificados, mas continuamos a enfrentar grandes dificuldades em termos de recursos humanos, com atrasos tecnológicos e continuando dependentes do petróleo", afirmou.

"Temos uma população resiliente, a nossa história mostra isto. Que resiste e sobrevive, que se adapta às mudanças no ambiente e que consegue unificar o povo multiétnico, plurilinguístico e multicultural", sublinhou.

Agora, disse, Timor-Leste tem que trabalhar mais para criar mais emprego, corrigindo a "evolução socioeconómica lenta" e procurando distribuir ou redistribuir recursos para garantir que se criam melhores condições.

"Precisamos de um reajustamento de prioridades. As tomadas de decisão têm que ter em conta a situação socioeconómica do país, com planeamento sistemático e rigoroso, uma avaliação das metas, para corrigir e ajustar as coisas", afirmou.

Intervindo na mesma ocasião, a ministra interina das Finanças, Sara Lobo Brites, disse no arranque do debate que esta é uma oportunidade para "definir as prioridades nacionais para 2020" e para determinar o teto fiscal do OGE do próximo ano", enquadrando estas questões nos planos a médio prazo do atual executivo, até 2023.

Trata-se, disse, de responder de forma "eficaz e sustentável para assegurar o desenvolvimento económico e antecipar incertezas da economia global", usando o OGE como "principal instrumento" que ajude a "responde à situação crítica do país.

Entre os grandes desafios, Sara Brites destacou os esforços para combater a pobreza que afeta mais de 40% da população e combater os efeitos dos desastres naturais que afetam a produção agrícola.

"É importante combater a disparidade na sociedade entre as zonas urbanas e rurais, entre sucos, entre municípios. É preciso equilíbrio na distribuição de OGE para reduzir as disparidades na sociedade", frisou.

"É importante garantir uma resposta à demografia da população, com uma média de 18 anos, uma população que é maioritariamente jovem. Se não se investir em boa nutrição desde a idade de criança, sem vacinas, sem saúde, sem escola, a população jovem não será produtiva e não conseguirá contribuir para a sociedade", afirmou.

Sara Brites acrescentou que o Governo quer utilizar as contas públicas para "construir uma sociedade justa e próspera, erradicar a pobreza e reduzir desigualdades".

O debate, que decorre até sexta-feira, "analisará os programas, prioridades, estratégias e metas a serem atingidas, com o objetivo de compreender qual o caminho e os objetivos que deverão ser traçados", seguindo-se "uma sessão relativa ao desempenho, aos resultados e aos desafios existentes nas áreas social e económica".

Haverá ainda debates sobre "desempenho e desafios na área da execução orçamental, indústria financeira e monetária" e, finalmente, a apresentação de procedimentos e critérios para a definição do teto fiscal da proposta do OGE para 2020.

 

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