Utentes do Barreiro protestam contra encerramento da estação dos CTT do Lavradio

| Economia

A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro realiza no sábado uma concentração contra o encerramento da estação dos Correios do Lavradio, no Barreiro, uma das 22 que a empresa prevê encerrar em todo o país.

De acordo com Antonieta Fortunato, da Comissão, a área geográfica do lavradio tem 10 mil utentes que, com o encerramento dos CTT, vão ter de se deslocar ou ao centro do Barreiro ou à Baixa da Banheira, já no concelho da Moita.

O concelho do Barreiro, com cerca de 80 mil habitantes, ficará apenas com duas estações de Correios, uma no centro da cidade e outra na Quinta da Lomba, na freguesia de Santo André, acrescentou.

"No Barreiro, em 2013, a estação da Quinta Grande foi encerrada numa das maiores freguesias do concelho, no Alto do Seixalinho. A União de Freguesias de Coina e Palhais não tem estação de Correios, mas um posto na freguesia, sendo o trabalho feito pelos funcionários da Junta", explicou.

Para a Comissão de Utentes, o serviço prestado pelos CTT "deve ser um serviço público, de qualidade e de proximidade às populações".

"O Lavradio, neste momento, não tem um posto de polícia, porque foi encerrado. No ano passado encerrou o balcão da Caixa Geral de Depósitos. Neste momento, a nossa estação de CTT também vai encerrar. Qualquer dia dizem-nos para atravessarmos de barco e irmos a Lisboa pôr as cartas", salientou.

Os utentes são também contra o funcionamento dos Correios em espaços de Juntas de Freguesia, porque "não podem aceitar que um serviço privado seja feito num espaço de serviço público, até porque os CTT vão despedir pessoas e depois os serviços terão de ser assegurados por funcionários da Junta".

A concentração decorre a partir das 10:00 junto à estação de Correios do Lavradio.

Em dezembro passado, os CTT divulgaram um Plano de Transformação Operacional, que prevê a redução de cerca de 800 trabalhadores na área das operações em três anos, um corte de 25% na remuneração fixa do presidente do Conselho de Administração e do presidente executivo, além da otimização da implantação de rede de lojas, através da conversão de lojas em postos de correio ou do fecho de lojas com pouca procura.

Já este ano, confirmaram o fecho de 22 lojas no âmbito deste plano de reestruturação, situação que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afetar 53 postos de trabalho.

A privatização dos CTT, que rendeu aos cofres do Estado mais de 900 milhões de euros, foi feita a dois tempos -- em 2013 e em 2014 -- em operações que renderam, respetivamente, 579 milhões de euros (70% do capital social da empresa a 5,52 euros por ação) e 343 milhões de euros (30% do capital social detido pela Parpública ao preço de 7,25 euros por ação).

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