Vítor Constâncio alerta que união monetária ainda não está completa

| Economia

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vitor Constâncio, defendeu hoje que a união monetária, um projeto "com uma ambição sem precedentes em termos históricos, ainda não está completa e ainda enfrenta "o risco de ameaças existenciais".

Num seminário sobre o futuro dos bancos centrais organizado pelo Banco Central Europeu (BCE) para o homenagear, a menos de duas semanas de deixar funções, em 31 de maio, para ser substituído pelo espanhol Luis de Guindos - que também participou no evento -, o ainda vice-presidente do BCE defendeu que é necessário um "salto quantitativo" na criação de uma união "genuína" do mercado de capitais.

Constâncio alertou que um eventual colapso da união monetária "danificaria sem qualquer dúvida gravemente todos os países" e pediu para que se aceite que o BCE "não tem desculpa para não intervir" no mercado da dívida soberana para combater as crises de liquidez na zona euro.

Para Constâncio, uma sólida e efetiva união monetária requer "instituições nacionais e europeias que possam assegurar um desenvolvimento económico e financeiro coeso", que evite desequilíbrios excessivos, fragmentação financeira e a persistência significativa de riscos de redenominação para os Estados membros".

Entre as reformas que considerou necessárias, citou em primeiro lugar a aceitação do "dever" do BCE de intervir nos mercados de dívida soberana, seguida da criação de uma "função de estabilidade orçamental central" para a gestão macroeconómica, incluindo a criação de um fundo de estabilidade.

Também defendeu a introdução de um ativo europeu seguro, a conclusão da união bancária e potenciar a cooperação para acelerar o processo da união dos mercados de capitais, além da melhoria da regulação orçamental para disciplinar as políticas orçamentais nacionais.

"Garantir as condições para uma união monetária com êxito é uma responsabilidade individual e coletiva de todos os Estados membros", afirmou.

O vice-presidente do BCE citou o economista norte-americano Barry Eichengreen para assegurar que o colapso do euro seria "a mãe de todas as crises financeiras" e insistiu que o interesse de todos os países deve ser criar condições institucionais que impeçam "crises existenciais como as que se têm atravessado desde 2010".

Neste sentido, sublinhou que deixar que as crises se desenvolvam e adotar intervenções à última da hora sob coação "será simplesmente mais custoso".

Constâncio disse que a zona euro percorreu "uma parte substancial" do percurso desde 2010 e assegurou que os esforços que sobram "são necessários e não são difíceis de implementar tecnicamente".

Anteriormente, o presidente do BCE; Mario Draghi, agradeceu a Constâncio o seu trabalho na instituição e sublinhou que a sua contribuição tinha sido "inestimável no terreno rochoso" que os diretores do banco tiveram que enfrentar nos últimos anos.

Draghi enalteceu entre outras virtudes do vice-presidente, a sua "honestidade intelectual", a sua vocação para o serviço público, o seu "rigor analítico" e a seu "instintivo desapego pelo dogmatismo".

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