"Zero covid". Restrições pandémicas afundam atividade económica da China

por RTP
Alex Plavevski - EPA

A atividade económica da China sofreu uma forte quebra em abril, potenciada pelas apertadas restrições impostas por Pequim contra a propagação da covid-19, mostram números libertados esta segunda-feira pelo Gabinete Nacional de Estatísticas do colosso asiático.

A produção industrial chinesa teve um recuo homólogo de 2,9 por cento, contra as estimativas da generalidade dos analistas, que vinham apontando para uma subida de 0,4 por cento no mês de abril. Relativamente a março, a produção industrial chinesa caiu assim 7,08 por cento.A maior contração deu-se no setor automóvel, cuja produção caiu 43,5 por cento.

Já as vendas a retalho, indicador-chave do consumo doméstico, caíram 11,1 por cento em termos homólogos. O consumo havia já recuado 3,5 por cento em março: o valor acumulado para 2022 cai assim para -0,2 por cento face ao mesmo período de 2021.

O gabinete chinês de estatísticas não publicou a evolução homóloga de ativos fixos, antes uma comparação intermensal que aponta para uma contração de 0,82 por cento.
"Efeito cascata"

O sector imobiliário sofreu uma queda de 2,7 por cento nos primeiros quatro meses do ano.

Tommy Wu, analista da consultora Oxford Economics citado pela agência Lusa, sublinha que o recuo da atividade económica encaixado pela China em abril foi o mais pronunciado desde o primeiro trimestre de 2020.

"O bloqueio prolongado de Xangai e o seu efeito cascata na China, combinados com atrasos logísticos, devido ao bloqueio de estradas em partes do país, afetaram severamente as cadeias de fornecimento domésticas", avaliou Wu.Desemprego


O desemprego nas áreas urbanas aumentou 0,3 por cento em abril, para 6,1 por cento
, cifra que supera aquela que Pequim determinou como teto para 2022: 5,5 por cento.

Nos últimos meses, dezenas de cidades e centenas de milhões de pessoas em território chinês foram submetidas a confinamentos totais ou parciais, enquadrados na denominada política de "zero covid".

O Gabinete Nacional de Estatísticas escreve que o "impacto de um ambiente internacional cada vez mais preocupante e complexo e de uma maior perturbação doméstica, devido à pandemia da covid-19, superou obviamente as expetativas".

Mesmo tendo em conta uma "crescente pressão negativa", o gabinete chinês estima que a "tendência geral de desenvolvimento de qualidade" perdura, acrescentando que as medidas traçadas por Pequim acabarão por conduzir à estabilização e à recuperação das contas nacionais.

c/ agências

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