Lula da Silva pede união em torno de Haddad para evitar "aventura fascista"

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O ex-Presidente brasileiro Lula da Silva pediu união em torno da candidatura do democrata Fernando Haddad para evitar uma "aventura fascista" com Jair Bolsonaro.

"Chegamos ao final das eleições diante da ameaça de um enorme retrocesso para o país, a democracia e a nossa gente tão sofrida", vinca Lula da Silva numa carta divulgada esta quarta-feira, argumentando ser "momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad, para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social e defender a opção do Brasil pela democracia".

Preso desde abril, Lula da Silva acrescenta, na missiva divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, que as divergências devem ser combatidas "por meio do debate, do argumento, do voto", rejeitando que "o desespero leve o Brasil na direção de uma aventura fascista".

"Como já vimos acontecer noutros países ao longo da história", exemplifica, sem nunca referir o nome do adversário de Haddad, Jair Bolsonaro, visto como muitos como sexista, racista, homofóbico e xenófobo.

E reforça que, "acima de tudo, está (em causa) o futuro do país, da democracia" e da população, pelo que "é hora de votar em Fernando Haddad, que representa a sobrevivência do pacto democrático, sem medo e sem vacilações".

A "maior preocupação" de Lula da Silva é, assim, "o sofrimento do povo, que só vai aumentar se o candidato dos poderosos e dos endinheirados for eleito", segundo refere na carta.

Afirmando ter "muito orgulho no legado" do Partido dos Trabalhadores (PT), o seu partido e que apoia agora Fernando Haddad, o ex-líder relembra que a estrutura "nasceu na resistência à ditadura e na luta pela redemocratização do país" e fez "o melhor para o Brasil".

Por isso, questiona "porquê tanto ódio contra o PT?", situação que permitiu que Jair Bolsonaro se tornasse no favorito à vitória.

"Será que nos odeiam porque tirámos 36 milhões de pessoas da miséria e levámos mais de 40 milhões à classe média? Porque tirámos o Brasil do mapa da fome? Porque criámos 20 milhões de empregos com carteira assinada, em 12 anos, e elevámos o valor do salário mínimo em 74%?", pergunta na carta.

Lula da Silva reafirma ainda a sua inocência, observando que "tentam destruir" a sua imagem e "apagar a memória do povo, mas não vão conseguir".

O ex-Presidente brasileiro foi condenado a 12 anos e um mês de prisão pela prática dos crimes de branqueamento de capitais e corrupção passiva, num processo referente a um apartamento de luxo que teria recebido como suborno pela construtora OAS, em troca de favorecimento em contratos desta empresa com a estatal petrolífera Petrobras.
Pobreza aumenta
Ao mesmo tempo que o antigo presidente Lula da Siva alerta para uma ameaça de retrocesso no país se Bolsonaro for eleito no domingo, é conhecido um estudo da Fundação Getúlio Vargas revela que o Brasil “ganhou” mais de seis milhões de novos pobres nos últimos anos.

São dados preocupantes que surgem, como conta Luís Baila, correspondente da Antena 1/RTP no Brasil, em pleno período eleitoral.


No domingo, os candidatos Jair Bolsonaro e Fernando Haddad defrontam-se na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, nas quais 147 milhões de eleitores decidirão quem será o sucessor de Michel Temer na Presidência do país.

Na primeira volta, que ocorreu no passado dia 7, o candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, conseguiu 46% dos votos, enquanto Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (esquerda), obteve 29%.

Segundo as mais recentes sondagens, Jair Bolsonaro tem 57% das intenções de voto, enquanto Fernando Haddad tem 43%.

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