Juncker "insatisfeito" exige esforço da Grécia para que se chegue a acordo

| Eleições na Grécia

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O Presidente da Comissão Europeia sublinha que houve avanços nas negociações entre Atenas e os credores mas realça que estes são insuficientes para culminarem num acordo. Jeroem Dijssebloem mostra-se mais otimista quanto à possibilidade de se chegar um acordo, mas que ainda deverá demorar mais algumas semanas. Esta apresenta-se mesmo como a nova estratégia europeia – chega de ultimatos e datas marcadas, o acordo chegará quando se conseguir.

Insatisfeito com a Grécia, Jean-Claude Juncker veio esta quinta-feira a público demonstrar a sua inquietude com o avançar das negociações entre Atenas e os credores. O presidente da Comissão Europeia considera que há avanços mas que estes são insuficientes para que se chegue a um acordo rápido.

“Estamos absolutamente insatisfeitos com o curso das negociações até agora. É urgentemente necessário que haja maior esforço do lado grego para que consigamos fechar este assunto no respeito dos nossos interesses mútuos”, afirmou o antigo primeiro-ministro luxemburguês.

Na semana passada, Jean-Claude Juncker tinha já afirmado, num encontro à porta fechada, que a paciência de Bruxelas para com Atenas estava a esgotar-se. Esta quinta-feira, o sucessor de Durão Barroso em Berlaymont afirmou estar fora de questão abandonar a Grécia, tal como está apoiá-la a todo o custo.

“A Grécia enfrenta uma crise humanitária, estando fora de questão abandonar a Grécia. Está também fora de questão apoiá-la a qualquer preço”, afirmou Juncker.
O otimismo de Dijsselbloem
O presidente da Comissão Europeia admitiu, no entanto, que a intensidade das negociações aumentou nos últimos dias - uma ideia também avançada por Jeroem Dijsselbloem.Alexis Tsipras voltará a reunir com Angela Merkel esta quinta-feira, à margem da cimeira convocada de emergência após os naufrágios. As autoridades gregas não especificaram o assunto que estará em cima da mesa deste novo encontro entre Merkel e Tsipras.


“Isto dá-nos motivos para sermos otimistas”, afirmou o presidente do Eurogrupo. “Se trabalharmos de forma séria, conseguiremos alcançar um acordo nas próximas semanas e o programa recomeçará”, explicou.

O também ministro holandês das Finanças apresenta um espaço temporal vago. O acordo poderá realizar-se ainda em abril, mas é mais credível que fique para mais tarde.

“Se necessário, utilizaremos mais algumas semanas”, admitiu mesmo.
Evitar novos ultimatos
Apesar dos avanços que Dijsselbloem realçou esta terça-feira, fica claro que o caminho do consenso ainda é longo e sem data definida. As "instituições" rejeitam novos ultimatos ou datas limites.

Um responsável revelou à Reuters que o Eurogrupo pretende evitar que a marcação de uma data prejudique as negociações ou crie uma expetativa desnecessária. Para trás fica a ideia de que as negociações chegariam a um fim já esta sexta-feira, na reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro de Riga, na Letónia.

Do lado de Atenas, seria relevante que um acordo fosse alcançado a tempo do próximo reembolso aos credores. O acordo deverá permitir que seja desbloqueada uma nova tranche do programa de ajuda externa. São cerca de 7,2 mil milhões de euros que se tornam vitais para que o Estado helénico faça face aos seus compromissos. A 12 de maio, Atenas terá de devolver 746 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional.
A solução provisória de Atenas
A Grécia encontra-se numa perigosa situação de falta de liquidez. Os constrangimentos financeiros de Atenas ficaram ainda mais evidentes esta segunda-feira. O Governo do Syriza obrigou os Governos locais a depositarem todas as suas reservas no Banco da Grécia.Frankfurt poderá aumentar a pressão sob Atenas. A Bloomberg noticia esta quinta-feira que o Banco Central Europeu estuda um aumento da exigência nas garantias fornecidas pelos bancos gregos para terem acesso ao Fundo de Liquidez de Emergência – o chamado ELA.

Estes empréstimos têm funcionado como um forma de financiamento dos bancos gregos, atormentados por problemas de liquidez e pela corrida aos depósitos.


De acordo com a Bloomberg, os responsáveis gregos preveem que esta transferência de fundos permita que Atenas faça frente às suas obrigações até ao fim de maio, enquanto se mantêm as negociações com os parceiros europeus e internacionais. As reservas dos municípios gregos são estimadas em 1,5 mil milhões de euros.

O Governo de Alexis Tsipras justifica a medida com a necessidade de assegurar a liquidez do Estado, caso seja necessário. No entanto, a medida foi fortemente contestada por responsáveis locais que a consideram “injusta” e “inaceitável”.

Esta transferência provoca uma situação de “pânico financeiro” que pode “parar obras em curso como estradas, hospitais e escolas”, defende o presidente da União Grega das Regiões e antigo deputado da Nova Democracia de Antonis Samaras, Kostas Agorastos.

O Governo helénico garante que esta solução é uma prática comum em países como o Reino Unido e os Países Baixos e promete que os reembolsos serão realizados, em função das necessidades das instituições locais, dentro de 15 a 20 dias.
Ainda o fantasma do Grexit
Perante o estender das negociações e a dificuldade em avistar um consenso entre os principais intervenientes, o cenário de Grexit mantêm-se no ar.

“A zona euro ficaria numa instabilidade muito perigosa”, afirmou Jeroem Dijsselbloem. “É do interesse da Grécia e da zona euro como um todo que isto se evite”.Com as negociações demoradas e sem fumo branco à vista, a popularidade do Governo helénico diminui. Os gregos contestam a tática negocial de Yanis Varoufakis e Alexis Tsipras, noticia o Ekathimerini.

O índice de aprovação à estratégia helénica situa-se agora nos 45,5 por cento, quando em março era superior a 70 por cento.
Jean-Claude Juncker também excluiu haver uma alternativa à permanência da Grécia na zona monetária europeia.

O cenário de Grexit apresenta-se como aquele que ninguém parece querer, mas que continua a persistir. A grande questão é se este poderá mesmo ser evitado.

“Sim, é possível”, afirma Paul Krugman, galardoado com o Nobel da Economia em 2008 e um crítico das medidas de austeridade. Numa coluna de opinião no New York Times, o economista considera que uma eventual saída da Grécia da moeda única europeia traria um elevado risco financeiro e político para toda a união.

“É algo para ser evitado se houver uma alternativa decente. E ela exista, ou deveria de existir”, escreve o Nobel da Economia.

Para os gregos, o cenário de Grexit é mais provável do que era em março. No mês passado, 17 por cento excluía essa eventualidade. Em abril, só nove por cento põe as mãos no fogo quanto à permanência de Atenas no grupo da moeda única, revela uma sondagem da Universidade da Macedónia para a televisão Skai.

O inquérito revela ainda que a maioria dos gregos não quer que a República Helénica saia da zona euro. Este é um cenário que assusta mesmo 56 por cento dos gregos, com 23 por cento a mostrarem a sua indiferença quando a esta eventualidade.
Krugman e a Grécia
A crise na Grécia é o tema de um artigo de Paul Krugman publicado na segunda-feira. O economista realça que muitos gregos veem as exigências de Bruxelas, Washington e Frankfurt como um esforço para deitar abaixo o Executivo do Syriza e para servir de exemplo a todos os países que pretendem rejeitar a austeridade. Krugman não acredita nesta possibilidade.

Atenas “não enfrenta um bloco sólido de credores implacáveis que prefeririam o default ou a saída do euro ao sucesso de um Governo de esquerda. Há mais boa vontade no outro lado da mesa do que muitos gregos pensam”, acredita o Nobel da Economia.A bolsa de Atenas fechou esta quinta-feira a desvalorizar 3,33 por cento, com as dúvidas quanto à capacidade do Estado helénico cumprir as suas obrigações financeiras a trazerem incerteza aos mercados financeiros.

A confirmar-se esta boa vontade, faltará realmente que as" instituições" e Atenas cheguem a um acordo. Um consenso que, para Paul Krugman, um crítico das medidas de austeridade, tem poucos segredos.

“A forma de um acordo é, portanto, clara”, defende. É necessário “parar com o aumento de austeridade, com a Grécia a concordar em fazer pagamentos significativos aos seus credores, mas não crescentes. Tal acordo daria o mote para a recuperação económica, talvez lenta no início mas que finalmente oferecesse alguma esperança”. O economista realça que o Governo de Alexis Tsipras não pode ceder em algumas das exigências de Bruxelas.

“Os credores pedem concessões – grandes cortes nas pensões e no emprego público – que um recém-eleito Governo de esquerda simplesmente não pode aceitar”, escreve.

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