Juncker insatisfeito recebe Tsipras empenhado na sede da Comissão

| Eleições na Grécia

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No dia em que está aprazado o pagamento grego de 340 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional, Alexis Tsipras encontra-se em Bruxelas com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para prosseguir a discussão do programa de reformas que Atenas pretende levar a cabo. Nesta segunda viagem do primeiro-ministro da Grécia à sede da Comissão está em causa o fecho do segundo resgate, até abril.

Nem o compromisso já assumido por uma fonte do Governo grego de que atenas pagará ainda esta sexta-feira os 340 milhões previsto conseguiu apaziguar o presidente da Comissão Europeia que, à entrada para a reunião com o primeiro-ministro grego, manifestou enfado com o que diz ser a falta de progressos: “Não estou satisfeito com os desenvolvimentos na Grécia nestas últimas semanas, acho que não progredimos o suficiente, mas vamos esforçar-nos por uma conclusão bem-sucedida”, declarou Juncker.

“Temos falado por telefone, mas decidimos agora fazê-lo pessoalmente e tentaremos avançar na direção de uma conclusão bem-sucedida das questões que temos de tratar”, adiantou Juncker numa explicação para a agenda desta manhã.

Alexis Tsipras, que chegava de uma reunião prévia com o presidente do Parlamento Europeu, declarou aos jornalistas que a sua equipa está empenhada em “aplicar as decisões tomadas no Eurogrupo de 20 de fevereiro”.
Tsipras disse aos jornalistas que procurou passar ao presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, a ideia de que a União enfrenta não “um problema grego, mas sim europeu”. Nesse sentido, espera que os parceiros façam a sua parte para chegar “a uma solução”.


As negociações entre o Executivo helénico e os constituintes da antiga troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) foram retomadas esta quarta-feira sob a ameaça de cenários irrealistas que – desde a eleição de um Governo do Syriza na Grécia – foram desde os desejos de Berlim de deixar cair a Grécia de membro da Zona Euro (e até da própria União Europeia), às ameaças do Executivo Tsipras também nesse sentido.

Pelo meio falou-se de empréstimos chineses para auxiliar o Governo de Atenas, mas a Grécia também teria batido a outras portas: Rússia e Estados Unidos.
"Não quero um falhanço"
Com a espada sobre a cabeça, passado o período de graça da vitória eleitoral do Syriza, a dupla Tsipras-Varoufakis (o carismático ministro das Finanças) deve o mais brevemente possível fechar um acordo que permita ao país encaixar 1.800 milhões de euros disponíveis no fundo de resgate da Zona Euro. Acrescem aqui 1.900 milhões de euros que respeitam aos lucros que os bancos centrais europeus conseguiram com a dívida grega.
Desde que a 20 de fevereiro Atenas conseguiu uma espécie de moratória sobre todas as ameaças que chegavam do eixo Berlim-Bruxelas, o relógio começou a contar os quatro meses dados a Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis para desenharem um plano de reformas que ganhe a chancela do Eurogrupo e, eventualmente mais importante, dos credores internacionais representados na troika - agora rebaptizada "Grupo de Bruxelas" - ainda que os gregos rejeitem a designação.“Não quero um falhanço”, acrescentou Juncker, para prometer à entrada para a reunião com Tsipras que iria “insistir numa conclusão de sucesso”.

Para já, o primeiro prazo é atingido em final de abril, altura em que deverá ficar fechado o segundo resgate. Com o plano grego a colher poucas simpatias junto dos parceiros da moeda única, Atenas pode perder margem de manobra, apesar de pairar sempre nos céus de Bruxelas a ideia de que a queda da economia grega seria uma desgraça não apenas para esse país, mas para toda a Zona Euro e, em última instância, uma ameaça à existência da própria União Europeia.

Essa ideia ficou clara esta manhã nas declarações de Jean-Claude Juncker, quando afirmou que “este não é o tempo para divisões, mas para nos unirmos”.

“Não quero um falhanço”, acrescentou Juncker, para prometer à entrada para a reunião com Tsipras que iria “insistir numa conclusão de sucesso”.

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