"Acordo não passa por cortes de pensões a pagamento", Paulo Portas

por RTP

O líder do CDS-PP, pertencente à Coligação Portugal à Frente, declarou, em entrevista à RTP, que existe uma certeza de que não existirão cortes nas pensões a pagamento e que tomou medidas de aumento em pensões que abrangeram mais de um milhão de pessoas.

O líder do CDS-PP afirmou, questionado sobre os lesados do BES, que se for necessário se encontra disponível para assinar uma subscrição às pessoas que perderam o seu dinheiro após a queda do Banco Espírito Santo.

"Se vier a ser necessário, com certeza. Chamo a atenção para as pessoas que acionaram providências cautelares e gostava de relembrar que não foram os responsáveis políticos que venderam papel comercial", declarou.

Paulo Portas continuou a sua explanação dizendo que foi sempre um dos que ouviu os lesados do BES e que foi um dos maiores críticos dos reguladores que não explicaram o que aconteceu em agosto de 2014.

"Houve pouca colaboração entre reguladores para procurar resolver o problema de muita gente, que penso ser sério, distinguindo investimentos de risco do que pode ser fraude, manipulação, levar alguém ao engano e aí temos de provar que podemos fazer justiça".

Sobre a atuação do executivo, o líder do CDS declarou que o Governo tomou todas as opções "que são certas".

"Se o PS fosse governo, o BES tinha sido nacionalizado ou então a Caixa Geral de Depósitos tinha entrado a apoiar uns grupos privados contra outros grupos privados. O Governo não nacionalizou o Banco Espírito Santo, o Governo não é acionista do Banco Espírito Santo, os contribuintes não são acionistas do Banco Espírito Santo e portanto não serão prejudicados pela resolução", explicou.
Cortes na Segurança Social

Em relação à Segurança Social, Paulo Portas disse que o executivo fez escolhas responsáveis pois admitiu que é necessária uma poupança no valor de 600 milhões de euros.

"Faremos [a poupança] com respeito pelo Tribunal Constitucional e pela sua doutrina, em concertação social com os parceiros sociais e procurando um acordo com o maior partido da oposição".

"Na certeza de que esse acordo não passa por cortes de pensões a pagamento", afirmou Paulo Portas.

O vice-primeiro ministro continuou explicando que a CES (contribuição extraordinária de solidariedade), criada pelo governo anterior acabará com o executivo da coligação e que o governo não está a esconder medidas que contemplem o corte de 600 milhões de euros.

"Metade dos meus críticos não tem metade da autoridade que eu tenho no que toca à defesa dos pensionistas. Negociei com António Guterres o maior aumento de pensões rurais em Portugal, criei a pensão dos antigos combatentes, opus-me à TSU das pensões que era injusta porque acumulava com a CES".

No caso dos idosos, em que mais de 50 mil perderam o acesso ao complemento solidário, Paulo Portas argumentou que aumentou pensões mínimas e rurais que alcançaram um milhão de pessoas.

"São as pessoas mais pobres e que trabalharam num tempo em que não havia Estado Social. Os socialistas sem troika congelaram as pensões mínimas, sociais e rurais. Sempre considerámos essencial aumentar a pensão mínima, social e rural para que as pessoas não tivessem que sofrer o efeito da inflação e do custo de vida".
Emprego jovem em análise

Paulo Portas afirmou que em relação ao fluxo de jovens que saíram de Portugal para procurar trabalho, não houve qualquer atitude de resignação e avisa que foi um problema deixado pelo governo socialista.

"Os portugueses resolveram com os seus sacrifícios, a quem eu peço sempre homenagem, o problema deixado pelo Partido Socialista", disse.

"Desde janeiro de 2013 mais de 230 mil empregos criados na economia, o melhor indicador de confiança da economia portuguesa desde 2001, consumidores, 2008, empresários. O investimento que é condição crítica do emprego está a disparar, as exportações batem recordes".

Sobre os 31 por cento de desemprego jovem, Paulo Portas afirmou que o programa 'Vem' não é o único para apelar ao regresso dos jovens portugueses que tiveram de sair do país.

"O Governo tem inúmeras propostas de ativação de medidas de emprego que têm funcionado com as empresas. Quando não havia troika, o emprego desceu com o Partido Socialista, com o memorando, obviamente, desceu e nunca neguei que se perderam muitos empregos", disse.

E continuou afirmando que "a partir de 2013, a criação de emprego subiu", rematou.