Campos e Cunha: "Consolidação orçamental em Portugal é um fenómeno raro"

| Entrevistas
Campos e Cunha: Consolidação orçamental em Portugal é um fenómeno raro

Campos e Cunha, antigo ministro das Finanças em entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, considera que o país está a viver um fenómeno raro de consolidação orçamental expansionista.

O economista acredita que o défice vai ficar abaixo de 1,5 por cento. Admite que haja um desagravamento fiscal mas não pode ser abrupto e em relação aos escalões do IRS, as alterações devem significar alívio para todos, incluindo para os mais ricos.
Cedências à esquerda só na medida em que não comprometam a política seguida. Risco? Eleições antecipadas. É uma possibilidade. Mas quem promover a rutura vai sair penalizado.

Portugal está a viver um período de "consolidação orçamental expansionista" que resulta da recuperação da confiança. A conclusão é de Campos e Cunha, professor de economia, em entrevista aos jornalistas Rosário Lira da Antena1 e Nuno Aguiar do Jornal de Negócios.
Para o antigo ministro das Finanças trata-se de um "fenómeno raro" a nível económico que se verifica quando o aumento de confiança mais do que compensa os efeitos depressivos da consolidação orçamental.

O antigo membro do Governo adianta que os riscos de continuidade desta política não podem ser controlados pelo Governo resultam sobretudo do exterior (situação Catalunha, Brexit e Trump) e do nível de confiança mas esse, refere, está em alta, assente na trilogia exportações, investimento, consumo privado.



Campos e Cunha acredita que o crescimento será sustentável, até porque com taxas de crescimento mais baixas é possível garantir um PIB per capita elevado, mas admite que os próximos trimestres "podem não ser tão esfuziantes" e que há uma parte do crescimento que é conjuntural.



A continuidade da política do Governo vai permitir, segundo o entrevistado que o défice fique abaixo da meta de 1,5 por cento fixada pelo Governo. Uma situação que considera absolutamente determinante para começar a pagar a dívida pública, preparando o pais para o momento em que as taxas de juro começarem a subir.



O economista admite que o atual crescimento fiscal permita realizar "algum" "desagravamento fiscal" mas não de forma abrupta porque isso também significaria cortar mais na despesa.



Em concreto, em relação às alterações nos escalões do IRS defende que "o alívio deve ser um pouco para todos", "mesmo para os escalões mais altos".



O antigo ministro adianta que para que a economia continue a ter um bom desempenho o Governo tem de continuar a manter a política seguida e neste aspeto não pode ceder à pressão da esquerda. Se isso acontecesse "muitos portugueses ficariam desapontados".



Sobre a possibilidade de realização de eleições antecipadas traz riscos que devem ser evitados.



Em caso de eleições considera que o PS poderia ficar perto da maioria absoluta ou mesmo obter essa maioria e os partidos que forçassem as eleições seriam penalizados.

Quanto à situação do PSD refere que "houve uma falha total dos conselheiros económicos" de Passos Coelho, "ouviu as pessoas erradas" e quando percebeu que afinal a economia estava a evoluir de uma forma que não previa "foi uma surpresa" para Passos Coelho que "ficou numa situação de vazio".



Uma entrevista Antena1/Jornal de Negócios a Campos e Cunha, professor de economia e antigo ministro das Finanças, para ouvir na íntegra este domingo depois do noticiário das 13h00.

A informação mais vista

+ Em Foco

Os dados do sistema de Informação de Fogos Florestais da União Europeia (EFFIS) indicam que só entre os dias 14 e 15 de outubro arderam em Portugal continental cerca de 200 mil hectares.

    Filipe Vasconcelos Romão, comentador de assuntos internacionais, refere que o artigo 155 da Constituição Espanhola será aplicado sem que haja qualquer lei de enquadramento.

    Impostos, orçamentos, metas para o próximo ano. A RTP descodifica a proposta de Orçamento do Estado apresentada pelo ministro das Finanças esta sexta-feira.

      Em entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, o ministro do Trabalho e da Segurança Social considera que a apresentação da moção de censura não vai trazer mudanças significativas.