Cotrim de Figueiredo da IL acusa governo de "propaganda enganosa"

Cotrim de Figueiredo da IL acusa governo de "propaganda enganosa"

RTP /

João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, dirige-se ao hemiciclo, apesar de alguma agitação entre os deputados que motiva um pedido de desculpas do presidente da Assembleia, para quem o deputado da IL merece “serenidade”.

Cotrim de Figueiredo promete “acabar com a serenidade” já a seguir.

“O debate do Estado da Nação é obrigatoriamente também um debate do estado da governação e do estado dos governantes, a começar pelo primeiro-ministro”, afirma.

“Não o conheço suficientemente bem para saber se é importante para si ter um lugar na História, mas se for, deve quere-lo por motivos positivos e não certamente por uma série de recordes negativos que tem acumulado”, adverte.

Como exemplo, o deputado da IL refere “a área da despesa pública e dos impostos, em que o senhor é o verdadeiro campeão”.

“O senhor é primeiro-ministro de um Governo que vai este ano, pela primeira vez, gastar mais de 100 mil milhões de euros, um triste recorde. O senhor é primeiro-ministro de um Governo que se prepara para no ano que vem, já anunciou o seu ministro das Finanças, bater o recorde do IRS, na União Europeia, com mais escalões, vamos ter 10! Outro triste recorde” ironiza Cotrim de Figueiredo.

António Costa, “primeiro-ministro há oito anos”, em cinco destes “bateu o recorde da carga fiscal”, acrescenta. “Já estou aqui a incluir o ano de 23 porque até abril, as receitas cresceram 10 por cento, quatro vezes o que estava previsto e mais do dobro do crescimento nominal esperado”, lembra, mais um “triste recorde”, quando “nem estou a falar do esforço fiscal em que a situação ainda é pior do que na carga fiscal e estamos mesmo na cauda da Europa”.

Cotrim de Figueiredo acusa António Costa de saber que a carga fiscal é “insustentável” e por isso ter criado “um sistema de incentivos e benefícios fiscais monstruoso que custam perdas de receita fiscal iguais às receitas de IRS todos os anos, cria e amplia exceções como o IRS jovem, que, basicamente, reconhece que são os impostos altos que fazem os jovens emigrar, e o Programa Regressar, mais conhecido como o IRS Di Maria, que tenta atrair com impostos baixos temporários, aqueles que emigraram por impostos altos permanentes”.

Quanto às anunciadas reduções do IRS nos próximos anos, João Cotrim de Figueiredo afirma que o primeiro-ministro “só pode estar a tomar os portugueses por parvos”.

“É que, nos últimos dois anos, 2021 e 2022, a coleta de IRS subiu três mil milhões de euros e agora quer baixar até 2027, dois mil milhões. Ou seja quer baixar em quatro anos, pouco mais de metade do que subiu em dois” denuncia o deputado da IL.

“Isto, e a Iniciativa Liberal di-lo com todas as letras, é propaganda enganosa, é querer enganar os portugueses e é uma péssima maneira de ficar na História”.
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