"Deviam ter vergonha" afirma André Ventura

"Deviam ter vergonha" afirma André Ventura

RTP /

O líder do Chega assume a palavra para agradecer a António Costa ter interrompido os seus muitos afazeres “europeus e outros”, como “ver futebol”, por ter tido tempo para “escrever o relatório da Comissão de Inquérito à TAP”. “É de facto incrível”, “não é para todos”, “é de facto um primeiro-ministro muito trabalhador”, acrescenta com ironia.

O início da intervenção provoca reações da Câmara para divertimento evidente de André Ventura e apelos do presidente Augusto Santos Silva por silêncio. António Costa ouve com enfadado.

“Depois da saudação, vem a negação, e esta é, em que ponto chegamos ao Estado da Nação”, diz Ventura. E que estado é esse?

Na opinião de André Ventura, “chegamos ao Estado da Nação no momento mais degradado da vida pública dos últimos anos”, lembrando a António Costa que perdeu 13 ministros e secretários-Estado, “treze, senhor primeiro-ministro”, no último ano.

Ventura aponta para Pedro Nuno Santos, ex-ministro das Infraestruturas de António Costa, sentado numa das últimas cadeiras do hemiciclo. “Propôs um aeroporto ao país, durante três horas os líderes todos deste Parlamento discutiram esse aeroporto mas afinal era uma treta, não havia aeroporto nenhum”.

O líder do Chega exibe depois a primeira página de um jornal diário português para referir o caso d ex-secretário de Estado da Defesa, Capitão Ferreira, a mais recente baixa no executivo de Costa. “Este é ainda melhor. Saiu com um sms para si a dizer que é arguido por corrupção e tem de se ir embora”. António Costa ri-se.

André Ventura aponta os diversos “casos” de demissão dos governantes para afirmar que “a luta que nós temos de travar é a este Governo, a enorme degradação do espaço público que nos tem trazido nos últimos meses.”

A presença do ex-ministro da Defesa e atual ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, ao lado de António Costa, é ainda pretexto para mais um ataque de Ventura. “Continua sentado nesse lugar depois de obras que derraparam inexplicavelmente, depois de sabermos que não pediu o visto do Tribunal de Contas para obras e para serviços que o exigiam, e o senhor primeiro-ministro insiste, insiste até não poder mais, enquanto a degradação do Governo vai continuando”.

“O seu Governo está como o Serviço Nacional de Saúde, absolutamente ligado à máquina vital que ainda o sustenta”, acusa o líder do Chega, para lembrar que, “ao contrário das promessas“ de António Costa, os portugueses perderam o seu médico de família e o seu hospital.

“As listas de espera subiram 11 por cento num ano”, “pessoas à espera para operações ao coração, tratamento ao cancro, coisas graves”, questionando as “tretas que o homem esteve para ali a dizer”. Já “os utentes sem médico de família subiram 249 por cento em quatro anos”, afirmou Ventura, desafiando os socialistas a “baterem palmas” a “esta vergonha”.

Lendo uma lista de títulos que saíram na imprensa nos últimos dias sobre as dificuldades sentidas no atendimento aos utentes do SNS, Ventura diz que lhe apetece “atirar as folhas ao chão”.
“É tão triste e tão grave que um Governo se apresente aqui a dizer que está tudo bem quando 10 milhões de portugueses sabem que está tudo mal”. “Deviam ter vergonha de estar no debate da nação a dizer que está tudo bem”, afirma.
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