Mariana Mortágua: "A direita espera que este Governo de perna curta tropece e caia por si só. Alternativa, não a vemos"

Mariana Mortágua: "A direita espera que este Governo de perna curta tropece e caia por si só. Alternativa, não a vemos"

RTP /

Mariana Mortágua, coordenadora do Bloco de Esquerda, começou por criticar a maioria do PS que "vai aplaudindo más decisões do Governo" ou "engolindo decisões vergonhosas, como quando ontem [quinta-feira] votou contra a paridade de juízes no Tribunal Constitucional".

Mas as críticas da líder bloquista ao Governo foram também críticas à direita. Refere que os partidos da direita são como o "abutre que espera pelo fim".

"Essa é a atitude da direita, que não tem nenhuma alternativa substancial à governação do PS. Não tem uma alternativa substancial porque esta é uma governação que resulta na concentração de riqueza em setores oligopolistas, que resulta no acordo com os patrões, com a banca, com os grandes supermercados", considerou.

Mortágua apontou ainda à governação do PS "marcada pela obsessão orçamental" e com uma "retórica cansada e velha de não podermos dar um passo maior que as pernas", denunciando a "convergência entre o PS e o PSD".

"A direita espera que este Governo de perna curta tropece e caia por si só. Alternativa, não a vemos", referiu.

A coordenadora do Bloco de Esquerda refere que não se pode normalizar "a dança das cadeiras, sobretudo quando há suspeitas de corrupção", em referência às várias demissões no Governo ao longo dos últimos meses.

Mariana Mortágua referia-se especificamente às polémicas no Ministério da Defesa. "O primeiro-ministro deve uma palavra ao país sobre o que se passa", considerou, acusando o executivo de tratar os trabalhadores com "paternalismo e arrogância".

Na sua intervenção, a líder bloquista destacou o tema da habitação. "A situação na habitação é catastrófica e a publicidade não vai resolvê-la", resumiu Mariana Mortágua, com críticas duras ao programa Mais Habitação que, refere, "já falhou".

Considera que o Governo preparou "medidas vazias" para a resolução do problema e que "a crise de habitação vai continuar".

"O país não vai perdoar ao Governo a maior instabilidade de todas, que é trabalhar, ter um salário e não ter uma casa que possa pagar", concluiu.
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