Mais de 12.000 refugiados entraram na Eslovénia nas últimas 24 horas

| Fuga para a Europa

Desde dia 17 de outubro, 34.131 migrantes entraram na Eslovénia
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Cerca de 12.600 pessoas chegaram à Eslovénia nas últimas 24 horas, um valor que ultrapassa o registado pela Hungria, no passado dia 23 de setembro, quando entraram 10.046 refugiados num só dia. Segundo a polícia eslovena, desde dia 17 de outubro, 34.131 migrantes entraram no país.

Já esta semana, Liubliana revelou que vai colocar a polícia a controlar as fronteiras.

Os centros de acolhimento a refugiados tinham, na manhã de quarta-feira, mais de 5.200 migrantes a aguardar registos. E cerca de 4.800 estavam a aguardar transporte. Na terça-feira, mais de 4.000 deixaram a Eslovénia rumo à Áustria.

Segundo dados mais recentes da Frontex, agência europeia de gestão de fronteiras, mais de 710 mil migrantes entraram na Europa nos primeiros nove meses de 2015, contra um total de 282 mil de 2014.
Incêndio em campo de refugiados
Ontem, um incêndio deflagrou num campo de refugiados em Brezice, junto à fronteira com a Croácia, não tendo causado feridos. O fogo atingiu várias tendas e obrigou a evacuar alguns dos 1.700 refugiados ali instalados.

Segundo a agência de notícias eslovaca, o fogo terá começado numa das fogueiras ateadas pelos migrantes para combater o frio que se tem feito sentir na região, especialmente durante a noite.

Os refugiados, cansados e molhados, terão começado a queimar o que tinham à mão para se aquecerem, mas as chamas alastraram rapidamente a algumas tendas e alguma vegetação nas redondezas.

As autoridades eslovacas revelaram que os bombeiros e a polícia atuaram rapidamente e evitaram o pior. Cerca de 25 tendas ficaram destruídas.
Situação desesperante
Depois de a Hungria fechar as fronteiras com arame farpado, num protesto contra a alegada passividade da União Europeia, os migrantes e refugiados – na sua maioria sírios – tiveram de desviar a rota da Sérvia para ocidente.

O caminho para a Áustria faz-se, agora, pela Croácia e pela Eslovénia. No entanto as autoridades croatas também começaram a limitar a entrada no país a estrangeiros sem documentos.

Liubliana já reconheceu que não tem capacidade para dar resposta às solicitações dos refugiados e pediu ajuda à União Europeia.

Entretanto, o presidente da Comissão Europeia convocou para o próximo domingo uma reunião de para discutir a situação de emergência relacionada com os fluxos migratórios.

O objetivo do encontro é acordar medidas operacionais que possam ser imediatamente implementadas, dada a situação que se vive na rota ao longo dos Balcãs, que “exige muito maior cooperação, consultas mais extensas e ação operacional imediata”, revelou a Comissão Europeia.

Para esta reunião, Jean-Claude Juncker convocou os chefes de Estado e de Governo da Áustria, Bulgária, Croácia, Alemanha, Grécia Hungria, Roménia, Eslovénia e ainda da Antiga República da Jugoslava da Macedónia e Sérvia, dois países que não são membros da União Europeia.

Foram ainda convidados, o presidente do Conselho Europeu, a presidência luxemburguesa da União Europeia e o Alto Comissário da ONU para os refugiados, António Guterres.
Defesa do Espaço Schengen
Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria, afirmou que a política restritiva quanto à passagem de refugiados pelo seu país visa defender o Espaço Schengen.

Budapeste concluiu em setembro uma vedação de arame farpado ao longo dos 175 quilómetros da fronteira com a Sérvia, de forma a impedir a entrada de refugiados e migrantes. Na passada semana, a Hungria anunciou ter concluído outra vedação ao longo da fronteira com a Croácia.

“O objetivo não é apenas o de evitar a invasão húngara por refugiados, mas fazê-los voltar para trás. De outro modo o Espaço Schengen vai entrar em colapso”, afimou Orban à margem de um Congresso do Partido Popular Europeu, que decorre em Madrid.

“O Espaço Schengen é um valor que temos de defender. O povo está connosco, o povo europeu está connosco”, acrescentou o primeiro-ministro húngaro que desvalorizou ainda as declarações do seu homólogo austríaco que comparou a atitude do executivo de Budapeste a posições nazis.

Quando questionado sobre o facto de a grande maioria dos refugiados que chegam à Hungria – essencialmente muçulmanos de zonas em conflito como a Síria – desejarem apenas passagem para outros Estados Membros da União Europeia, Orban frisou que o “fenómeno das migrações está a destruir a Europa”.

“Primeiro, acho que o que está a acontecer está a destruir a Europa. Por isso há que defender a Europa, isso em primeiro lugar. Em segundo lugar, temos obrigações a nível internacional, temos tratados internacionais, que são claros, e que temos de cumprir”, sublinhou.

Para o chefe do executivo húngaro, “o continente europeu é o continente do Estado de Direito e se não se mantém a lei, no final haverá o caos”.

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