Futebol Internacional
Caso Prestianni-Vinícius continua a fazer `correr muita tinta`
A denúncia de racismo na última partida do Benfica para a Liga dos Campeões continua a dar que falar. Desde ex-jogadores, a treinadores e ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), são vários, e divergentes, os posicionamentos públicos quanto ao caso.
Em nova noite europeia, o jogo entre Benfica e Real Madrid volta a correr o mundo. Na origem das milhares reações deixa de estar um guarda-redes herói, mas a acusação de comentários racistas de Gianluca Prestianni contra Vinícius Júnior, após o golo solitário do internacional brasileiro.
Vincent Kompany foi dos mais incisivos nas reações ao episódio. O treinador do Bayern Munique dedicou 12 minutos da antevisão ao encontro frente ao Eintracht Frankfurt ao caso e criticou duramente o posicionamento de José Mourinho.
“O pior foi o que aconteceu depois do jogo. José Mourinho utiliza a celebração do golo para atacar o caráter de Vinícius e desacreditar tudo o que aconteceu. É um erro enorme. Depois ainda falou de Eusébio para dizer que o Benfica não pode ser racista. Usar o nome de Eusébio é inaceitável”, frisou.
As palavras de Mourinho nas declarações após o encontro foram, mais tarde, reforçadas pelo clube ‘encarnado’, que, em comunicado oficial, reiterou a confiança na versão do jovem jogador argentino, bem como o compromisso com o respeito e a inclusão, enquanto emblema que “tem em Eusébio o seu símbolo maior”.
O técnico belga recorreu ainda a episódios da própria carreira para defender Vinícius Júnior: “É impossível que a reação seja falsa. Ele não tem qualquer benefício em ir ter com o árbitro. Fez isso porque era a coisa certa a fazer”.
As reações ao comentário de Mourinho multiplicaram-se. Benni McCarthy, comandado pelo técnico português no FC Porto, criticou as palavras de José Mourinho, esperançoso de que pudesse surgir um pedido de desculpas. Também o antigo internacional francês, Lilian Thuram, considerou “patética” a análise do treinador ‘encarnado’ no rescaldo do encontro.
"A natureza dos comentários de Mourinho diz muito sobre a razão pela qual não seguimos em frente. Trabalhou com muitos jogadores negros durante a carreira, mas isso não o impede de duvidar da veracidade do ato de racismo e de questionar a responsabilidade da vítima”, disse, em entrevista ao L'Équipe.
“Mourinho sugere que a culpa é de Vinícius. Isto é de uma violência fora do normal. Quem é o Mourinho para decidir o que Vinícius tem ou não o direito de fazer?”, concluiu.
Imediatamente a seguir à partida, o antigo jogador e diretor das ‘águias’, Luisão, comentou o apoio prestado pelo Benfica ao jogador acusado de ter insultado Vinícius, dizendo estar “envergonhado” com o posicionamento do clube: “Esta camisola é muito grande, é a minha segunda pele, tem de se ser digno de vestir o manto sagrado. Foi um ato racista sim”.
Ao serviço do West Ham, o português Nuno Espírito Santo também condenou o alegado insulto de Gianluca Prestianni. Na mesma linha de pensamento, Liam Rosenior, treinador do Chelsea, saiu em defesa de Vinícius Júnior, avançado do Real Madrid.
“Quando vemos um jogador chateado como o Vinícius estava, normalmente há um motivo para isso. Eu próprio já fui vítima de abuso racial e qualquer forma de racismo na sociedade é inaceitável. Se algum treinador, jogador ou dirigente for considerado culpado de racismo, não deveria estar no futebol”, reforçou.
Ainda em Inglaterra, Guardiola afastou-se do embate entre Benfica e Real Madrid em particular e criticou aquele que acredita ser um problema estrutural que “está em todo o lado e não é uma questão do tom da pele, mas de comportamento”.
“As escolas são os lugares ideias para mudar comportamentos. Paguem mais aos professores. É assim que se resolve. Não aos futebolistas. Os professores e os médicos devem ser as pessoas mais importantes da sociedade, não os treinadores ", atirou o técnico espanhol.
“Prestianni não devia ter tapado a boca. Isso gera toda esta confusão. Agora é a palavra de um contra a de outro. Não sou eu que posso julgar”, reconheceu Filipe Luís, técnico do Flamengo.
Por menos palavras ficou marcada a exigida reação de Luis Enrique na antevisão ao PSG-Metz. “Nada de importante” foi o que o treinador do Paris Saint-Germain considerou ter a acrescentar sobre o assunto, que já está a ser investigado pela UEFA.
No mesmo argumento se focou Pedro Proença, líder da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que contornou, esta sexta-feira em Leiria, todas as questões sobre os últimos acontecimentos no futebol português e europeu.
Líderes das duas equipas em causa, José Mourinho e Álvaro Arbeloa voltaram a tocar no tema esta sexta-feira. Enquanto com as ‘águias´ “não tem sido fácil gerir emoções”, em Madrid é totalmente afastada a versão de que Vinícius Júnior seja considerado um “provocador”.
“Nada do que Vinícius fez justifica um ato racista. Não podemos desviar o assunto, estamos perante uma grande oportunidade para tomar medidas para que a luta contra o racismo não fique por palavras”, expressou Álvaro Arbeloa, em conferência de imprensa.
O técnico madridista relembrou o desfecho do último encontro, orgulhoso do seu plantel: “Não há nenhum título que me faça sentir mais orgulhoso do que me senti na terça-feira pela forma como todos os colegas reagiram, como continuaram a jogar e pelas suas declarações após o jogo”.
Apesar da confusão generalizada e que já atravessa oceanos, na liga portuguesa, no entanto, as opiniões têm sido mais moderadas.
“Não é tão fácil impor leis. Devem imperar os valores do desporto e da sociedade. Do lado do Braga, o que posso dizer é que queremos que impere o respeito e não dar vida ao racismo. Como cidadãos, temos de ajudar a que estes temas não existam”, sublinhou Carlos Vicens na antevisão ao dérbi minhoto entre SC Braga e Vitória SC.
Sem comentar especificamente a situação a envolver os jogadores de Benfica e Real Madrid, Rui Borges falou apenas em “polémicas”, que acredita que não têm implicações no desfecho do campeonato, apesar da desordem mediática em todo o mundo.
Em sentido inverso, o ex-Benfica, emprestado precisamente pelo Real Madrid, Tote, relativizou a situação. Em declarações à Radio MARCA, o antigo jogador acredita que Prestianni não poderá ser castigado sem provas e que o caso será mais um dos que se tornará indiferente dentro de algum tempo.
“A todos nós já disseram barbaridades e no final não acontece nada. Não concordo com a falta de respeito, mas não me parece que o Vinícius seja o coitadinho deste filme”, disparou.
A UEFA já abriu uma investigação ao caso e nomeou um Inspetor de Ética e Disciplina para averiguar a existência de alegados comportamentos discriminatórios no encontro entre Benfica e Real Madrid. Em comunicado, o organismo confirmou que está encarregue de anunciar uma possível sanção disciplinar ao jogador do Benfica.
Vincent Kompany foi dos mais incisivos nas reações ao episódio. O treinador do Bayern Munique dedicou 12 minutos da antevisão ao encontro frente ao Eintracht Frankfurt ao caso e criticou duramente o posicionamento de José Mourinho.
“O pior foi o que aconteceu depois do jogo. José Mourinho utiliza a celebração do golo para atacar o caráter de Vinícius e desacreditar tudo o que aconteceu. É um erro enorme. Depois ainda falou de Eusébio para dizer que o Benfica não pode ser racista. Usar o nome de Eusébio é inaceitável”, frisou.
As palavras de Mourinho nas declarações após o encontro foram, mais tarde, reforçadas pelo clube ‘encarnado’, que, em comunicado oficial, reiterou a confiança na versão do jovem jogador argentino, bem como o compromisso com o respeito e a inclusão, enquanto emblema que “tem em Eusébio o seu símbolo maior”.
O técnico belga recorreu ainda a episódios da própria carreira para defender Vinícius Júnior: “É impossível que a reação seja falsa. Ele não tem qualquer benefício em ir ter com o árbitro. Fez isso porque era a coisa certa a fazer”.
As reações ao comentário de Mourinho multiplicaram-se. Benni McCarthy, comandado pelo técnico português no FC Porto, criticou as palavras de José Mourinho, esperançoso de que pudesse surgir um pedido de desculpas. Também o antigo internacional francês, Lilian Thuram, considerou “patética” a análise do treinador ‘encarnado’ no rescaldo do encontro.
"A natureza dos comentários de Mourinho diz muito sobre a razão pela qual não seguimos em frente. Trabalhou com muitos jogadores negros durante a carreira, mas isso não o impede de duvidar da veracidade do ato de racismo e de questionar a responsabilidade da vítima”, disse, em entrevista ao L'Équipe.
“Mourinho sugere que a culpa é de Vinícius. Isto é de uma violência fora do normal. Quem é o Mourinho para decidir o que Vinícius tem ou não o direito de fazer?”, concluiu.
Imediatamente a seguir à partida, o antigo jogador e diretor das ‘águias’, Luisão, comentou o apoio prestado pelo Benfica ao jogador acusado de ter insultado Vinícius, dizendo estar “envergonhado” com o posicionamento do clube: “Esta camisola é muito grande, é a minha segunda pele, tem de se ser digno de vestir o manto sagrado. Foi um ato racista sim”.
Ao serviço do West Ham, o português Nuno Espírito Santo também condenou o alegado insulto de Gianluca Prestianni. Na mesma linha de pensamento, Liam Rosenior, treinador do Chelsea, saiu em defesa de Vinícius Júnior, avançado do Real Madrid.
“Quando vemos um jogador chateado como o Vinícius estava, normalmente há um motivo para isso. Eu próprio já fui vítima de abuso racial e qualquer forma de racismo na sociedade é inaceitável. Se algum treinador, jogador ou dirigente for considerado culpado de racismo, não deveria estar no futebol”, reforçou.
Ainda em Inglaterra, Guardiola afastou-se do embate entre Benfica e Real Madrid em particular e criticou aquele que acredita ser um problema estrutural que “está em todo o lado e não é uma questão do tom da pele, mas de comportamento”.
“As escolas são os lugares ideias para mudar comportamentos. Paguem mais aos professores. É assim que se resolve. Não aos futebolistas. Os professores e os médicos devem ser as pessoas mais importantes da sociedade, não os treinadores ", atirou o técnico espanhol.
“Prestianni não devia ter tapado a boca. Isso gera toda esta confusão. Agora é a palavra de um contra a de outro. Não sou eu que posso julgar”, reconheceu Filipe Luís, técnico do Flamengo.
Por menos palavras ficou marcada a exigida reação de Luis Enrique na antevisão ao PSG-Metz. “Nada de importante” foi o que o treinador do Paris Saint-Germain considerou ter a acrescentar sobre o assunto, que já está a ser investigado pela UEFA.
No mesmo argumento se focou Pedro Proença, líder da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que contornou, esta sexta-feira em Leiria, todas as questões sobre os últimos acontecimentos no futebol português e europeu.
Líderes das duas equipas em causa, José Mourinho e Álvaro Arbeloa voltaram a tocar no tema esta sexta-feira. Enquanto com as ‘águias´ “não tem sido fácil gerir emoções”, em Madrid é totalmente afastada a versão de que Vinícius Júnior seja considerado um “provocador”.
“Nada do que Vinícius fez justifica um ato racista. Não podemos desviar o assunto, estamos perante uma grande oportunidade para tomar medidas para que a luta contra o racismo não fique por palavras”, expressou Álvaro Arbeloa, em conferência de imprensa.
O técnico madridista relembrou o desfecho do último encontro, orgulhoso do seu plantel: “Não há nenhum título que me faça sentir mais orgulhoso do que me senti na terça-feira pela forma como todos os colegas reagiram, como continuaram a jogar e pelas suas declarações após o jogo”.
Apesar da confusão generalizada e que já atravessa oceanos, na liga portuguesa, no entanto, as opiniões têm sido mais moderadas.
“Não é tão fácil impor leis. Devem imperar os valores do desporto e da sociedade. Do lado do Braga, o que posso dizer é que queremos que impere o respeito e não dar vida ao racismo. Como cidadãos, temos de ajudar a que estes temas não existam”, sublinhou Carlos Vicens na antevisão ao dérbi minhoto entre SC Braga e Vitória SC.
Sem comentar especificamente a situação a envolver os jogadores de Benfica e Real Madrid, Rui Borges falou apenas em “polémicas”, que acredita que não têm implicações no desfecho do campeonato, apesar da desordem mediática em todo o mundo.
Em sentido inverso, o ex-Benfica, emprestado precisamente pelo Real Madrid, Tote, relativizou a situação. Em declarações à Radio MARCA, o antigo jogador acredita que Prestianni não poderá ser castigado sem provas e que o caso será mais um dos que se tornará indiferente dentro de algum tempo.
“A todos nós já disseram barbaridades e no final não acontece nada. Não concordo com a falta de respeito, mas não me parece que o Vinícius seja o coitadinho deste filme”, disparou.
A UEFA já abriu uma investigação ao caso e nomeou um Inspetor de Ética e Disciplina para averiguar a existência de alegados comportamentos discriminatórios no encontro entre Benfica e Real Madrid. Em comunicado, o organismo confirmou que está encarregue de anunciar uma possível sanção disciplinar ao jogador do Benfica.