Ataques russos obrigam a novos cortes de energia de emergência na Ucrânia

por Inês Moreira Santos - RTP
Roman Pilipey - EPA

Uma série de mísseis russos atingiu, na segunda-feira, alvos em toda a Ucrânia, incluindo instalações de infraestruturas de energia, o que forçou as autoridades ucranianas a fazerem novos cortes de energia de emergência. Volodymyr Zelensky lamentou a morte de mais quatro civis nos bombardeamentos russos das últimas horas e anunciou que algumas regiões, incluindo parte de Kiev, ficarão sem energia nos próximos dias. Por outro lado, Moscovo acusou Kiev de ter atacado e atingido aeródromos militares na Rússia.

"Há quatro pessoas mortas nos ataques russos de hoje. As minhas condolências à família e amigos", afirmou no habitual discurso noturno o presidente ucraniano, acrescentando que foram lançados 70 mísseis russos na segunda-feira, embora a defesa antiaérea ucraniana tenha derrubado a maioria.

Os bombardeamentos russos atingiram várias infraestruturas críticas na Ucrânia, obrigando ao corte do fornecimento de água e de eletricidade em algumas regiões, como Kiev, Kryvi Rih e Zaporizhzhia.
Há ainda relatos de terem caído destroços de mísseis na Moldova, onde o abastecimento de energia também foi afetado.

Apesar de o território ucraniano estar a enfrentar já temperaturas muito baixas, com a aproximação do inverno, milhares de pessoas no país estão sem água e eletricidade devido aos apagões de emergência, após os vários ataques das forças russas.

“Para estabilizar a rede elétrica, foi necessário mudar para apagões de emergência em muitas regiões”, explicou Zelensky.
 
Anunciando que há várias regiões ucranianas que podem ficar sem eletricidade uns dias, Zelensky garantiu que as autoridades estão a tentar reestabeler a energia nas áreas afetadas. Referindo-se ao apagão também na vizinha Moldova, o presidente ucraniano considerou que se trata de "uma ameaça não apenas para a Ucrânia, mas também para toda a região".

Os ataques de segunda-feira foram o oitavo ataque em massa com mísseis da Rússia nas últimas oito semanas. Moscovo tem atacado as infraestruturas da rede elétrica na Ucrânia desde dia 10 de outubro, após a reconquista por parte das forças ucranianas de algumas zonas ocupadas.
O próprio Ministério russo da Defesa admitiu que atingiu 17 alvos críticos durante o “ataque em massa com armas de alta precisão”. O Kremlin, citado pela agência RIA, acusou ainda Kiev de ter usado drones para atacar dois aeródromos militares russos na manhã de segunda-feira, acrescentando que as defesas aéreas intercetaram os bombardeamentos “nas regiões de Saratov e Ryazan”.

“Na manhã de 5 de dezembro, o regime [de Kiev], a fim de desativar as aeronaves russas de longo alcance, tentou atacar veículos aéreos não tripulados a jato de fabricação soviética nos aeródromos militares de Diaghilevo, na região de Ryazan e Engels”, lê-se em comunicado.

“A defesa aérea das Forças Aeroespaciais Russas intercetou esses drones ucranianos voando a baixa altitude”, disse, acrescentando que os drones destruídos “danificaram levemente” duas aeronaves.

As consequências da explosão no aeródromo russo terão sido sido capturadas pela empresa israelita de imagens de satélite ImageSat International (ISI), que mostrou “marcas de queimaduras e objetos” perto de “uma aeronave Tu-22M que provavelmente foi danificada”.


O governador da região russa de Saratov, Roman Busargin, assegurou aos residentes, através da plataforma de mensagens Telegram, que nenhuma infraestrutura civil tinha sido danificada, mas adiantou que as “informações sobre incidentes em instalações militares estão a ser verificadas por agências de investigação”.
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