Estreia da ópera "Relicário Perpétuo", de Luís Tinoco, celebra Camões "entre mito e homem"
A ópera "Relicário Perpétuo", de Luís Tinoco, estreia-se na próxima quarta-feira, no Teatro Camões, em Lisboa, sob a direção musical da maestrina Joana Carneiro, encerrando as comemorações do V Centenário de Luís Vaz de Camões.
A ópera, com libreto da escritora Luísa Costa Gomes, é "uma tragicomédia sobre o mito e o homem", afirma, em comunicado, o Teatro Nacional de S. Carlos (TNSC), segundo o qual "Relicário Perpétuo" se "afasta da homenagem estática para questionar a própria autoridade do cânone e a forma como a história cristalizou o poeta".
"Que Camões devemos guardar e celebrar? O dos sonetos petrarquistas, o das odes horacianas, o da epopeia sob revisão, o do teatro mal-amado ou o das cartas semi-vis?", interroga a apresentação do TNSC, para garantir: "Na ópera, coabitam todos os Camões".
A ópera é a resposta a "um desafio" feito pela Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário do nascimento de Luís de Camões ao Organismo de Produção Artística (Opart)/TNSC, que resultou "numa criação que celebra a língua portuguesa".
O espetáculo reúne um "trio criativo de referência nacional": o compositor Luís Tinoco, Prémio Pessoa 2024, a escritora Luísa Costa Gomes, distinguida com os prémios PEN Clube e Correntes d`Escritas, entre outros, que publicou este ano a antologia de contos "Triunfo do Triunfo" e "Divertimentos", também autora do libreto da ópera "O Corvo Branco", de Philip Glass; e o encenador Nuno Carinhas, pintor, figurinista, antigo diretor artístico do Teatro Nacional S. João.
O elenco é constituído pelo tenor Rodrigo Carreto, os barítonos André Henriques e André Baleiro, as sopranos Mariana Fabião, Andrea Conangla e Camila Mandillo e o ator João Lourenço Delgado, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, dirigida pela maestrina Joana Carneiro.
"O libreto transporta o público para uma geografia fantasiosa de corte oriental. Ali, o desamparado príncipe Gerardo [Rodrigo Carreto] coleciona indiscriminadamente tudo o que lhe chega às mãos, numa acumulação insana, enquanto aguarda o regresso de Salomão [André Baleiro], o seu pai e bússola moral. É nesta ilha encantada que Camões irá combater pelo seu verdadeiro lugar no cânone", lê-se na sinopse da obra.
"Composto por seis cantores e um faquir mudo [João Lourenço Delgado], o texto destaca-se ainda pela riqueza linguística: inclui trechos em papiamentu, negrillo e línguas inventadas baseadas no provençal e catalão, tornando o português literário seiscentista em mais uma `língua estrangeira` neste universo operático", descreve ainda a apresentação do TNSC.
A ópera sobe à cena a partir das 18:30, na quarta-feira, sendo antecedida por uma conversa, às 16:30, com Luís Tinoco, Luísa Costa Gomes e Nuno Carinhas, moderada pelo maestro Pedro Amaral, diretor artístico do TNSC.
Este figurino volta a acontecer na quinta-feira, estando a conversa marcada para as 18:30 e a récita prevista para as 20:00, no Teatro Camões.
"Relicário Perpétuo" volta a subir à cena, em versão concerto, no próximo sábado, às 20:30, no Teatro Louletano, em Loulé, no Algarve.