Finlândia e Suécia prometeram negociar com Erdogan extradição de combatentes curdos

por RTP
Reuters

Segundo o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, "a Finlândia e Suécia comprometem-se a apoiar totalmente a Turquia contra ameaças à segurança nacional e isto inclui emendas às legislações nacionais, reprimir as actividades do PKK e chegar a um acordo com a Turquia sobre extradições".

Stoltenberg não escondia o seu entusiasmo pelo acordo alcançado, dizendo: "Olhem para o mapa. Isto vai mudar toda a situação de segurança na região do báltico com a Finlândia e a Suécia e os países bálticos Estónia, Lituânia, Letónia vai reforçar a nossa a presença nessa parte do mundo".

E prosseguiu: "E isso é algo bom porque enfrentamos uma situação critica de segurança na Europa. E isto envia uma muito clara mensagem ao presidente Putin de que as portas da NATO estão abertas. Ele queria menos NATO e agora o presidente Putin vai ter mais NATO".

Por seu lado, a presidência turca indicoou que o presidente Recep Tayyip Erdogan obteve a "plena cooperação" da Finlândia e da Suécia contra os combatentes curdos do PKK e aliados, e deu por isso o seu acordo à entrada na NATO dos dois países nórdicos. 

O comunicado da presidência turca foi divulgado após mais de três horas discussão em Madrid com os líderes dos três países, na presença do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

Entre as exigências de Ancara incluía-se o reforço da legislação dos dois países nórdicos contra o "terrorismo" e a extradição de diversos ativistas curdos que foram acolhidos nos dois países do norte da Europa.

Os dois Estados escandinavos têm manifestado desde há vários anos apoio às Unidades de Proteção Popular (YPG), a formação armada dos curdos sírios e principal componente das Forças Democráticas Sírias (HSD), que Ancara acusa de ligações diretas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado "organização terrorista" pela Turquia, União Europeia e EUA na sequência da rebelião armada curda no sudeste turco, iniciada em 1984.

A Suécia também possui uma importante comunidade curda e mantém tradicionais ligações políticas com esta corrente, mais intensas que a vizinha Finlândia. A Turquia censura Estocolmo por continuar a receber representantes da administração autónoma curda do nordeste da Síria e comandantes militares.

Ancara também pediu que os dois países escandinavos levantem o embargo às armas com destino à Turquia, imposto devido às incursões militares turcas na Síria para combater os militantes curdos e impedir a concretização da Rojava, o projeto de uma ampla região autónoma curda e eventual embrião de um futuro Estado.

 

(C/ Lusa)

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