Jorge Paiva critica desinteresse dos políticos pela floresta

| Maria Flor Pedroso
Jorge Paiva critica desinteresse dos políticos pela floresta

Jorge Paiva, botânico e professor, um dos maiores peritos da floresta, critica em entrevista à Antena 1 o desinteresse generalizado dos políticos pelos problemas da floresta.

Pode ver toda a entrevista aqui:



Jorge Paiva afirma que o último político que o ouviu foi Mário Soares - ouvia, argumentava e até escreveu artigos sobre questões ambientais.

"Os políticos não se educam, pressionam-se", diz o botânico de 83 anos nesta entrevista à editora de Política da rádio pública, Maria Flor Pedroso.

Jorge Paiva aponta a monocultura e o fim dos guardas florestais - uma medida tomada por governos socialistas e continuada por governos de PSD e CDS-PP - como fatores decisivos para o que ocorreu em Pedrógão Grande.


O professor não ficou surpreendido com a tragédia, que o deixou "tenso e furioso", e até aconselha os amigos estrangeiros a não passar nas estradas dos concelhos que agora arderam, aos quais junta Águeda e Mortágua.

Questiona-se sobre o facto de o comando estar com um bombeiro de Tavira que não conhece o centro do país.

Diz ter "a certeza absoluta" de que se houvesse guardas florestais o número de fogos baixava muitíssimo em Portugal, só que "há muitos interesses".

Não são mais comissões que resolvem o problema, na sua perspetiva. Porque "espreme-se e não se fez nada". Mesmo que o convidassem para integrar um tal órgão, rejeitava.

Jorge Paiva conta que, quando era chamado ao Parlamento, os deputados concordavam com o que dizia, mas depois votavam conforme a vontade do partido, favorável "a interesses económicos".

Insiste também na necessidade de "profissionalização" dos bombeiros e do combate ao fogo.

Jorge Paiva mostra-se revoltado com a possibilidade de as populações rurais plantarem "o que lhes dá na real gana".

"Não pode ser. Não é assim na Finlândia e na Suécia", remata.

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Na Grande Entrevista da RTP, o ministro João Matos Fernandes lamentou que os problemas ambientais sejam muitas vezes menorizados.

Foi considerado o “pior dia do ano” em termos de fogos florestais, com a Proteção Civil a registar 443 ocorrências. Morreram 45 pessoas. Perto de 70 ficaram feridas. Passou um mês desde o 15 de outubro.

    Todos os anos as praias portuguesas são utilizadas por milhões de pessoas de diferentes nacionalidades e a relação ambiental com estes espaços não é a mais correta.

      Uma caricatura do mundo em que vivemos.