A fórmula que nos livra dos maus governantes

por Márcia Rodrigues - RTP

Daniel Innerarity, catedrático de filosofia política, considerado um dos 25 pensadores mais influentes do mundo, estuda o tema com devoção. Foi isso que me contou na entrevista que lhe fiz esta semana. Innerarity defende que só a criação de "sistemas inteligentes" nos pode livrar dos maus governantes.

O filósofo, que agora publica mais um livro em português, intitulado "Política para Perplexos", explica que está a investigar uma teoria da democracia complexa. Será o tema do seu próximo livro. 

Uma teoria com a fórmula para blindar as sociedades dos maus governantes. A solução passa, entre outras coisas, por evitar a excessiva personalização da vida política, acabando com a ideia de que "a política funciona bem quando há gente boa nos governos".

Os sistemas políticos, defende Innerarity, não podem depender das pessoas que fazem parte dele mas sim de regras, de procedimentos.

São os "sistemas inteligentes" que nos protegem, enquanto cidadãos, que protegem a própria democracia evitando a corrupção e a incompetência, a violação de normas éticas com a desculpa de que nenhuma ilegalidade foi cometida.

Daniel Innerarity diz que os "sistemas inteligentes" dependem de uma sociedade capaz de observar e escrutinar constantemente os políticos. "Quando o poder político se sente monotorizado muda de comportamento", diz.

O catedrático de filosofia política, com uma vasta obra publicada em português, explica que "os especialistas garantem que nas sociedades há cerca de 20 por cento de corruptos, 20 por cento de santos e depois há o resto, o que está no meio. "É para esses que temos que olhar, para os 60 por cento que devem ser o objeto da legislação que os obriga a devolver a carteira que encontram na rua e que podiam de outra forma levar para casa".

Normas, procedimentos e muito, muito escrutínio, é essa a fórmula sugerida por Daniel Innerarity para nos livrarmos dos maus governantes.


Nesta fórmula, os jornalistas que observam e investigam os políticos têm um papel determinante, afirma.

Um entrevista que pode ser vista esta sexta-feira, na edição especial dos 60 anos do Telejornal