Ações de operadoras de Macau afundam após detenção de Alvin Chau

por Lusa

As ações dos principais grupos de casinos que operam em Macau registaram fortes perdas hoje, após o Suncity Group ter suspendido a negociação dos seus títulos na bolsa de valores de Hong Kong.

A empresa Suncity Group Holdings Limited suspendeu as negociações na sequência da detenção em Macau do diretor executivo Alvin Chau, no sábado, juntamente com dez outros suspeitos, por terem alegadamente facilitado jogo transfronteiriço a apostadores da China continental.

As ações da MGM China listadas em Hong Kong caíram 11%, na sessão de hoje. A Wynn Macau perdeu 9% e a Galaxy Entertainment Group 8,8%.

A Sands China registou uma queda de 6,5%.

Chau é o executivo de maior destaque visado pelas autoridades, desde que Pequim proibiu a promoção de jogos de azar na China continental, em março passado, e o território propôs regulamentos mais rígidos para os casinos, em setembro.

A negociação das ações da Suncity foi suspensa "enquanto se aguarda a divulgação de um anúncio em relação às notícias sobre" Chau.

As ações da Summit Ascent, operadora de um casino - resort russo ligado a Chau, também foram suspensas.

"Não ficaríamos surpresos caso o sentimento dos investidores em relação a Macau se torne negativo novamente [. . .] No entanto, esta correção no preço das ações pode durar pouco tempo", escreveram analistas do banco de investimento Citigroup, em comunicado.

A prisão "terá um impacto muito limitado na lucratividade dos operadores de Macau", acrescentaram.

O diretor executivo do Suncity foi detido na sequência de um mandado de detenção emitido por autoridades da China.

Alvin Chau "é suspeito de criar um grupo criminoso de jogo transfronteiriço, organização ilegal de operações de jogo envolvendo cidadãos chineses em salas de jogo no exterior, das quais ele é concessionário, e de participar em atividades de jogo de rede transfronteiriça, envolvendo enormes quantias de capital, tendo prejudicado gravemente a ordem social do país", indicaram, em comunicado, as autoridades de Macau.

Na sexta-feira, a procuradoria da cidade de Wenzhou, no leste da China, exortou Alvin Chau a entregar-se às autoridades e a cooperar com a investigação.

Segundo o comunicado emitido pela polícia local, Chau terá aliciado, no total, 80 mil apostadores do continente.

Chau desenvolveu uma rede de pessoal no interior da China, para organizar visitas a salas de jogo no exterior e participar em atividades de jogo `online` transfronteiriças, lê-se na mesma nota.

O residente de Macau é acusado de estabelecer uma empresa de gestão de ativos na China continental para facilitar a troca de ativos por fichas de jogo, de forma a contornar o restrito controlo de saída de capitais no continente e facilitar a cobrança de dívidas contraídas pelos clientes.

Os jogos de azar são legais na região semiautónoma de Macau, mas proibidos no resto da China.

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