Acordo sobre jovens imigrantes falha votação no Senado dos EUA

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O líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, a caminho da votação sobre a reforma da lei de imigração nos EUA, em Washington, 15 de fevereiro de 2015.
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Após três dias de discussões intensas nos corredores, os senadores norte-americanos regressaram para votar uma moção sobre a reforma da imigração nos EUA, conseguida por republicanos e por democratas reunidos num "coligação do bom senso". O texto acabou por conseguir apenas 54 votos a favor (45 contra). Necessitava de 60 para ser adotada pela Câmara alta do Congresso.

A recusa deixa milhares de jovens num limbo. Mas o resultado não desencorajou os seus apoiantes.

"Ter 54 votos para este texto, é encorajador. Não alcançámos a meta, mas vamos continuar a fazer aumentar o número", reagiu na rede social Twitter o senador republicano Linsday Graham, dizendo-se "orgulhoso" por ter apoiado a moção.

O texto tenta encontrar uma solução para quase dois milhões de jovens cujo estatuto migratório nos EUA é extremamente incerto.

Uma outra proposta de lei, mais restritiva e apoiada pelo Presidente Donald Trump, obteve ainda menos votos a favor, 39, sendo chumbada por 60 vozes.

O texto da "coligação" respondia a algumas questões levantadas por Trump, para quem a alteração às leis de imigração existentes é uma prioridade.

Propunha por exemplo um longo processo de naturalização para os cerca de 1,8 milhões de jovens entrados ilegalmente em território americano com os pais quando eram crianças, assim como um financiamento de cerca de 25 milhares de milhões de dólares para reforçar a segurança na fronteira com o México, nomeadamente a construção de um muro.

Não acabava com o sistema de reagrupamento alargado de famílias - a "imigração em cadeia", nas palavras de Trump, que pretende suprimi-la - ou com a lotaria de cartas verdes que permite a dezenas de milhares de estrangeiros instalarem-se nos Estados Unidos e que o Presidente quer abolir.

Trump afirmou quinta-feira na rede social Twitter que a adoção desta proposta "seria uma completa catástrofe", repetindo criticas do ministério da Segurança Interna, o DHS, que alertou "contra o fim da luta contra a imigração na América".

"Votar por esta proposta acabaria por ser votar CONTRA as forças da ordem e A FAVOR das fronteiras abertas" tweetou o Presidente.

A ser aprovado e a passar também na Câmara dos Representantes, o texto poderá deparar com um veto, avisou ainda a Casa Branca.

"Mudaria drasticamente para pior a nossa política nacional sobre a imigração ao enfraquecer a segurança nas fronteiras e iria sabotar as nossas leis já existentes" referiu durante a tarde a porta-voz da presidência, Sarah Sanders, em comunicado.

A Administração pressionou os republicanos a "retirar o seu apoio" a um texto "muito imprudente". Uma posição que lhe valeu a ironia dos democratas. O líder dos senadores do Partido Democrata, Chuck Schumer, disse que, "numa democracia não se obtém a 100 por cento o que se quer, talvez numa ditadura".

Os jovens abrangidos podem ser alvo de expulsão já a partir do próximo mês. Cerca de 690 mil entre eles - apelidados de "sonhadores" - estão protegidos desde 2012 pelo decreto Daca, de Barack Obama. Os outros são inelegíveis para o programa.

Donald Trump revogou o Daca em setembro de 2017 e deu ao Congresso seis meses, até dia 5 de março, para regulamentar definitivamente a questão. A revogação está a ser contestada na Justiça.

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