Agências do governo federal dos EUA proibidas de usar programas Kaspersky

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As agências federais norte-americanas foram hoje proibidas de usar programas informáticos fornecidos pela russa Kaspersky, devido às preocupações com as ligações desta empresa ao Kremlin e aos serviços de informação da Federação Russa.

A diretiva foi emitida pela secretária da Segurança Interna, Elaine Duke, na altura em que várias agências de aplicação da lei e de espionagem dos EUA estão a investigar a eventual interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas em 2016.

A empresa Kaspersky afirmou, em comunicado, que está desapontada com a diretiva e insistiu que "não tem qualquer relação não ética ou ligações com qualquer governo, incluindo o da Rússia".

Duke instruiu todas as agências federais e Departamentos para que deixem de usar produtos ou serviços fornecidos direta ou indiretamente pela empresa de propriedade e operação russa.

A ordem dá 30 dias às agências para apurarem se estão a usar algum produto Kaspersky. Os programas informáticos têm de ser removidos de todos os sistemas dentro de 90 dias.

"O Departamento está preocupado com as ligações entre alguns funcionários da Kaspersky e agentes dos serviços de informações e outras entidades governamentais russas", avançou-se no texto da diretiva.

Outras fontes de preocupações são as leis russas que autorizam as agências de espionagem russas a obrigarem a Kaspersky a fornecer assistência ou intercetar comunicações que transitem pelas redes russas.

"O risco de o governo russo -- seja agindo em seu nome ou em colaboração com a Kaspersky -- poder capitalizar o acesso permitido pelos produtos Kaspersky para comprometer informação federal e sistemas de informação envolvidos diretamente na segurança nacional dos EUA", acentuou-se no texto.

A diretiva dá à Kaspersky uma oportunidade para responder ou mitigar as preocupações do Departamento.

A Kaspersky já reagiu, exprimindo a sua satisfação por poder demonstrar que as preocupações são infundadas.

"Não há provas credíveis apresentadas publicamente por quem quer que seja, pelo que as acusações são baseadas em alegações falsas ou pressupostos incorretos, incluindo alegações sobre o impacto das regulações e políticas russas sobre a empresa", avançou a empresa.

A Kaspersky garantiu que não está sujeita às leis russas citadas na diretiva, acrescentando que a informação recebida pela empresa é protegida de acordo com as obrigações legais e as severas normas do setor, incluindo a encriptação.

"A Kaspersky Lab nunca ajudou, nem ajudará, qualquer governo no mundo na ciber espionagem ou em ataques cibernéticos e é desconcertante que uma empresa privada possa ser considerada culpada até que prove a inocência, devido a questões geopolíticas", ainda segundo a Kaspersky.

O presidente executivo da empresa, Eugene Kaspersky, é um engenheiro matemático que frequentou uma escola patrocinada pelo KGB e que chegou a trabalhar para o Ministério da Defesa russo. Os seus críticos consideram improvável de a sua empresa possa operar de forma independente na Rússia, onde a economia é dominada por empresas estatais e o poder dos serviços de informações expandiu-se acentuadamente sobre a Presidência de Vladimir Putin.

Numa audiência na comissão de Informações do senado dos EUA, em maio, vários dirigentes norte-americanos foram questionados sobre se estavam confortáveis com os programas da Kaspersky nos seus computadores.

"Não" foi a resposta dada pelos então diretores da polícia federal (FBI, na sigla em Inglês), Andrew McCabe, agência central de informações (CIA), Mike Pompeo, Informação Nacional, Dan Coats, Agência de Segurança Nacional (NSA), Mike Rogers, Informações Geoespaciais, Robert Cardillo, e Agência de Informações de Defesa, Vincent Stewart.

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