Alemanha: única sobrevivente de organização nazi condenada a prisão perpétua

| Mundo

Beate Zschäpe pertencia a um grupo terrorista
|

Beate Zschäpe, terrorista neonazi, foi condenada a prisão perpétua por coautoria na morte de nove homens imigrantes, um grego e os restantes turcos, e pela morte de um polícia num tiroteio. Os crimes foram cometidos entre 2000 e 2007 em diferentes cidades alemãs.

Foi hoje conhecida a decisão sobre o julgamento de Beate Zschäpe. No processo judicial o grupo terrorista era composto por três pessoas. Zschäpe é a única sobrevivente. Segundo o jornal El País, a mulher nega estar envolvida nos crimes.

Em 2011, Uwe Böhnhardt e Uwe Mundlos, cúmplices de Zschäpe, tentaram assaltar um banco. Os dois homens foram depois encontrados sem vida dentro de uma autocaravana.
Beate Zschäpe entrou para o grupo em janeiro de 1998


Beate Zschäpe entregou-se às autoridades horas depois da polícia ter descoberto o andar onde se escondiam desde 2003. As autoridades encontraram várias armas e vídeos dos assassinatos dos nove homens. Os crimes foram cometidos em várias partes do país, mas a arma utilizada foi sempre a mesma.

Segundo El Pais, na semana passada Zschäpe disse que não queria ter participado nos assassinatos e culpou os dois colegas mortos. Embora se tenha dirigido às famílias sobre a aflição e desespero que sentiu, não esclareceu os motivos por terem escolhido aquelas vítimas. "Por favor, não me condene em representação de algo que eu não queria ou fazia", pediu Zschäpe ao juiz.

Antes de a sentença começar a ser lida, os familiares das vítimas mostraram a sua deceção com os cinco anos e meio de espera até o caso ser resolvido. Alguns familiares criticaram os serviços secretos e as respostas insuficientes durante o processo.

Ralf Wohlleben foi considerado cúmplice do grupo por ter fornecido a arma que foi usada nos assassinatos, foi condenado a 10 anos de prisão. Holger G. e Carsten S. foram condenados a três anos por terem apoiado a organização terrorista e serem cúmplices dos assassinatos. Um terceiro cúmplice, Andre E. foi condenado a dois anos e seis meses por apoiar o grupo.

Antes de a NSU (Nazionalsozialistische Untergrund) ter sido descoberta, as forças de segurança alemãs não colocaram a hipótese de existir conspiração neonazi e consideraram tratar-se de um ajuste de contas entre emigrantes.
Esta investigação tem um arquivo com 300 mil páginas, 15 advogados de defesa, 750 testemunhas e 437 dias de audiência.
"Não vamos apenas confrontar a violência racista com o poder da lei. Precisamos da diversidade das nossas sociedades abertas contra a intolerância. O que eles fizeram não pode ser desfeito. As vítimas não serão esquecidas", escreveu Heiko Maas, ex-ministro da Justiça da Alemanha, agora ministro das Relações Exteriores, no Twitter.



Historial da Organização
Segundo El País, há provas de que o grupo tinha contacto com organizações neonazis. Em 1977, a simulação de um ataque à bomba fez com que o grupo estivesse preso durante pouco tempo. Entretanto, a polícia descobriu que faziam bombas caseiras com dinamite, o grupo fugiu antes de ser preso pela segunda vez. A falsificação de documentos de identificação fez com que os serviços secretos suspeitassem de que o grupo estava a ser informado e ajudado por alguém. Em 1999 o grupo começou a assaltar bancos para se sustentar.
Dúvidas sobre a organização NSU
"Há muitas evidências de que a NSU consistiu em mais de três neonazis”, referiu o Partido de Esquerda depois do desfecho do caso.

Segundo a emissora internacional alemã, Deutsche Welle, Antonia von der Behrens, advogada de Mehmet Kubasik, um dos assassinados, está convencida de que a NSU tinha mais apoiantes do que os que foram acusados. Behrens refere também que as autoridades tiveram espiões infiltrados no grupo terrorista durante alguns anos. “No processo, eles só foram autorizados a testemunhar até certo ponto, ou nem sequer foram autorizados a depor”, acrescentou a advogada.

Martina Renner foi presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o caso da NSU no estado alemão de Turíngia, na Alemanha e acompanhou o processo. Segundo a deputada “os arquivos do Serviço de Defesa da Constituição [Verfassungsschutz] permanecem trancados e alguns foram destruídos.”

Tópicos:

Zschäpe, alemanha, condenada, crimes, neonazi, perpétua, prisão, terrorista, Beate,

A informação mais vista

+ Em Foco

Raptos e assassínios de opositores em países estrangeiros, levados a cabo pelos serviços secretos, têm um longo historial.

Logo após a recuperação das armas roubadas, o ex-chefe do Estado-Maior do Exército proibiu a PJ de entrar na base de Santa Margarida.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em novos conteúdos de serviço público que podem ser seguidos na página RTP Europa.

      Um terramoto de magnitude 7,5 e um tsunami varreram a ilha de Celebes, causando a morte de pelo menos duas mil pessoas. A dimensão da catástrofe é detalhada nesta infografia.