Alunos angolanos pedem a Presidente que agilize transferências das famílias

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O presidente da Associação de Estudantes Angolanos em Portugal (AEAP) apela ao Presidente de Angola para que crie um sistema que agilize as transferências de dinheiro das famílias para os alunos que estudam em Portugal.

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, inicia na próxima quinta-feira a sua primeira visita de Estado a Portugal, uma década depois da última deslocação oficial de um chefe de Estado angolano, que ocorreu em 2009 com José Eduardo dos Santos.

O presidente da AEAP gostaria que, durante os três dias que João Lourenço estará em Portugal, o chefe de Estado se apercebesse do drama em que continuam a viver muitos alunos angolanos, quando ficam "meses à espera de ver desbloqueadas as transferências bancárias feitas pelos familiares".

No ano passado estavam inscritos nas instituições de ensino superior portuguesas 3.222 estudantes angolanos, número tem vindo a aumentar ligeiramente todos os anos, segundo dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência (DGEEC).

No entanto, a vida nem sempre é fácil, contou o presidente da AEAP, Luís Vitorino, lembrando que há casos em que os alunos ficam três meses à espera de conseguir levantar o dinheiro depositado pelos familiares em Angola.

"A crise financeira e bancária que rebentou no final de 2014 e inícios de 2015 em Angola também atingiu os estudantes. Desde 2016, com as dificuldades nas transferências bancárias para Portugal, começou a notar-se um movimento de abandono dos estudos", explica.

Sem dinheiro, muitos acabam por abandonar os estudos e procurar um trabalho para pagar as contas. Segundo uma estimativa do presidente da AEAP, um estudante estrangeiro precisa, em média, de cerca de mil euros por mês para conseguir sobreviver em Portugal.

"Era importante que o Presidente [João Lourenço] tomasse em atenção os nossos problemas e encontrasse uma solução", disse à Lusa o presidente da Associação de Estudantes Angolanos em Portugal, defendendo que "era preciso criar um sistema que apoiasse mais os estudantes no que toca às transferências e que desse mais atenção quando os familiares querem fazer uma transferência".

Luís Vitorino explicou que os estudantes já têm uma situação excecional no que toca ao envio de divisas mas não é suficiente: "O banco pede documentos em como somos estudantes, mas mesmo assim o dinheiro chega a demorar meses a ficar disponível".

Um estudo da DGEEC divulgado este ano mostra que quase metade dos bolseiros dos PALOP (42%) abandonaram os estudos antes de terminarem a licenciatura em que se tinha inscrito. E, segundo Luís Vitorino, os estudantes sem bolsa vivem situações ainda mais complicadas quando o dinheiro enviado pelos pais demora a chegar.

Luís Vitorino espera que a visita do Presidente da República de Angola sirva para chamar a atenção para o problema dos alunos que vivem a mais de seis mil quilómetros de distância dos pais.

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