Amazónia. Governo brasileiro desvaloriza incêndios mas admite enviar militares

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Bolsonaro admitiu a possibilidade de recorrer às Forças Armadas brasileiras para o combate às chamas
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O Governo do Brasil emitiu esta sexta-feira um comunicado no qual minimizou as dimensões dos incêndios que há mais de duas semanas devastam a floresta da Amazónia. De acordo com o executivo, os fogos “não estão fora de controlo” e a maioria encontra-se no “nível mais baixo” de emergência. Apesar disso, e depois de ter sido alvo de críticas pela comunidade internacional, Jair Bolsonaro já admitiu recorrer às Forças Armadas para combater as chamas.

Um comunicado lançado pelo Governo brasileiro, intitulado “nove factos sobre os incêndios na Amazónia”, veio explicar que todos os anos o Brasil é alvo de incêndios florestais e que esta altura do ano é a mais crítica a nível de “ocorrência de queimadas”.

O documento explica ainda que os recursos financeiros disponibilizados para o controlo de fogos permanecem em níveis semelhantes aos do passado recente, e que 2.409 “brigadistas de incêndio” do Governo Federal estão à disposição para atuar no local, número que representa um “contingente acima da média de anos anteriores”.

Ainda assim, Jair Bolsonaro admitiu esta sexta-feira a possibilidade de recorrer às Forças Armadas brasileiras para o combate às chamas.


Quando questionado sobre se iria enviar militares, o Presidente brasileiro respondeu que “a tendência é essa”, acrescentando que a decisão final será tomada durante uma reunião com os ministros brasileiros da Defesa e do Ambiente esta sexta-feira.

O comunicado divulgado pelo Governo do Brasil adianta ainda que “o Governo Federal está a atuar, por meio do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), assim como em conjunto com os estados, para conter os focos de incêndios”.

Por fim, o documento frisa que o Brasil é uma “referência mundial” no combate terrestre aos fogos florestais, e que coordena a Rede Sul-Americana de Incêndios Florestais, providenciando treino e assistência a outros países.
Líderes internacionais preocupados
Depois de, esta sexta-feira, líderes internacionais entre os quais o Presidente francês, Emmanuel Macron, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, se terem manifestado em relação à situação na Amazónia, chegou a vez do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

“Os fogos que devastam a floresta amazónica não são apenas esmagadores, eles também são uma crise internacional”, escreveu no Twitter, acrescentando que o Reino Unido está “pronto para fornecer toda a ajuda necessária para os dominar e ajudar a proteger uma das grandes maravilhas do planeta”.


Emmanuel Macron foi quem mais se destacou entre os críticos de Bolsonaro, acusando-o de mentir em relação às preocupações com o clima que manifestou na cimeira do G20 em junho. Por essa razão, a França decidiu opor-se ao tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

Depois de Macron ter sugerido que o problema da Amazónia fosse abordado na cimeira do G7 este fim de semana, os conselheiros desse grupo avançaram que já se encontram a debater medidas concretas para que possam ser decididas durante o encontro, que se realizará em Biarritz.

A situação não tem preocupado apenas os líderes, mas também as comunidades por todo o mundo. Em Paris, por exemplo, dezenas de pessoas manifestaram-se esta tarde em frente à embaixada do Brasil para pedir ao Governo brasileiro que trave o incêndio que consome a Amazónia.
Chamas relacionadas com desflorestação
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro, o número de incêndios no Brasil aumentou 83 por cento este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Esta sexta-feira, cientistas da NASA que monitorizam focos de incêndio no planeta afirmaram que os seus dados sobre o Brasil comprovam os valores indicados pelo INPE e acrescentaram que os fogos estão relacionados com a desflorestação.

“Há dez dias atrás, olhei as imagens dos nossos sensores dos satélites em órbita e eles mostravam claramente os focos de calor separados, com enormes colunas de fumo a sair das daquelas áreas da fronteira agrícola, como na região de Novo Progresso, no Pará, e no sudeste do estado do Amazonas”, afirmou um dos cientistas da NASA.

"Não existe uma quantidade de combustível suficientemente alta para gerar aquelas colunas de fumo se aquilo for apenas limpeza de pasto, por exemplo", acrescentou o especialista.

c/ Lusa

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