Angela Merkel e Martin Schulz fecham acordo rumo a um novo Governo

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A CDU de Angela Merkel e o SPD de Martin Schulz chegaram a acordo para dar início a negociações formais rumo à constituição de um governo de coligação. Este primeiro acordo foi conseguido ao fim de cinco dias de reunião e pré-anuncia o fim da incerteza política que paira no país desde setembro.

O acordo alcançado entre os líderes apresenta as linhas gerais daquele que poderá ser o futuro governo de coligação entre SPD e CDU no executivo alemão, reeditando o bloco que já governou Berlim na última legislatura.

A reunião durou mais de 24 horas, tendo terminado já na manhã desta sexta-feira. O acordo de princípio vai ter de ser submetido, ao longo do dia, às instâncias dirigentes dos partidos envolvidos.

Segundo as agências internacionais, este novo acordo de 28 páginas defende o reforço da cooperação com Paris para fortalecer a Zona Euro. “Pretendemos, em estreita colaboração com França, fortalecer de forma sustentável e reformar a zona euro” para que possa “resistir melhor às crises”, refere o documento.

Este acordo ainda está longe de ser definitivo. Os sociais-democratas mostram-se reticentes e mais divididos. A eventual participação no novo executivo terá de ser validada no congresso extraordinário marcado para 21 de janeiro de desfecho imprevisível. Só depois irão começar negociações mais detalhadas.

Segundo a France Presse, mesmo que a CDU e a SPD consigam alcançar um acordo final, dificilmente a Alemanha terá um novo governo em funções antes do fim de março.
Incerteza política alemã
O acordo a que os dois líderes chegaram esta sexta-feira anuncia o fim da incerteza política que reina no país desde as eleições de setembro de 2017. A coligação liderada por Angela Merkel (CDU/CSU) foi a força política mais votada mas perdeu votos e ficou novamente aquém da maioria absoluta.

Ao contrário do que tinha acontecido na legislatura anterior, os sociais-democratas do SPD começaram por recusar formar um governo de coligação com Angela Merkel, o equivalente alemão de um executivo de bloco central.

O partido de Angela Merkel tentou formar coligação com outros dois partidos: os liberais da FDP e os Verdes. As negociações falharam e a solução, vulgarmente designada por “Jamaica” devido às cores dos três partidos serem as mesmas da bandeira deste país das Caraíbas, não chegou a concretizar.

Depois deste fracasso, os sociais-democratas retrocederam e abriram a porta a negociações com Angela Merkel, tendo em vista uma eventual entrada no executivo alemão. Esta tentativa dá agora frutos, depois de uma semana de reuniões e uma derradeira maratona de mais de 24 horas de duras negociações que culminou já na manhã desta sexta-feira.

A dureza das negociações prende-se com as fortes divergências entre os dois partidos, nomeadamente entre os conservadores da CSU (aliados da Baviera de Angela Merkel) e o SPD. A CSU, que está já em campanha pra as regionais do próximo outono, exige limitações à política migratória e redução de impostos para todos.

Por sua vez, os sociais-democratas defendem uma grande aposta no investimento público e na redução das desigualdades entre ricos e pobres no que diz respeito aos cuidados de saúde. Pretendem ainda que seja aumentado de 42 para 45 por cento o imposto sobre os rendimentos dos mais ricos, o que os conservadores da CSU têm rejeitado.

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