Aquecimento do Ártico foi o quádruplo do resto da Terra nos últimos 40 anos

por Lusa
O aquecimento global altera a paisagem do Pólo Norte Jeremy Goldberg - Unsplash

O Ártico aqueceu cerca de quatro vezes mais do que o resto do mundo nos últimos 40 anos, concluiu um estudo, o que evidenciou as estimativas aquém da realidade dos modelos climáticos dos polos.

O estudo, publicado na revista Communications Earth & Environment, do grupo Nature, reavaliou claramente em alta o ritmo de aquecimento da região em torno do Polo Norte.

Em 2019, o painel de peritos do clima das Nações Unidas (IPCC, na sigla em Inglês) tinha estimado que o Ártico estava a aquecer "mais do dobro da média mundial", sob o efeito de um processo específico da região.

Este fenómeno, designado "amplificação ártica", ocorre quando o gelo e a neve, que refletem naturalmente o calor do sol, se derretem na água do mar, que absorve assim mais o calor solar e aquece.

Se os cientistas estão de acordo desde há muito sobre a constatação do aquecimento acelerado do Ártico, as suas estimativas do fenómeno divergem sobre o período que escolhem estudar ou a definição, mais ou menos externa, da zona geográfica do Ártico.

No novo estudo, os investigadores, baseados na Noruega e na Finlândia, analisaram quatro séries de dados de temperatura recolhidas no conjunto do círculo ártico por satélites desde 1979, ano a partir do qual a informação por satélite ficou disponível.

Concluíram que o Ártico aqueceu em média 0,75 graus centígrados (ºC) por década, ou seja, cerca de quatro vezes mais depressa do que o resto do planeta.

Devido aos gases com efeito de estufa geridos pelas atividades humanas, principalmente devido à queima dos combustíveis fósseis, a temperatura média global do planeta já subiu cerca de 1,2ºC desde a era pré-industrial.

O estudo detetou importantes variações locais do aquecimento no círculo ártico. Por exemplo, o setor euro-asiático do Oceano Ártico, perto do arquipélago norueguês de Svalbard e do russo de Nova Zembla, aqueceu 1,25ºC por década, ou seja, sete vezes mais do que o resto do mundo.

O aquecimento intenso do Ártico, além de um impacto grave sobre as populações e a fauna local, que depende da continuidade do mar de gelo para caçar, vai ter também repercussões mundiais.

 

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