Arábia Saudita revela que foram utilizadas armas militares iranianas no ataque às refinarias

por RTP
O Governo iraniano negou qualquer envolvimento no ataque Hamad I Mohammed - Reuters

A aliança militar liderada pela Arábia Saudita revelou esta segunda-feira que foram utilizadas armas iranianas no ataque às refinarias do passado sábado. A coligação militar adianta ainda que os mísseis não foram lançados a partir do Iémen. O ataque foi reivindicado pelos rebeldes Houthis, que já ameaçaram com novos ataques, mas Teerão nega qualquer envolvimento.

O porta-voz da aliança militar que combate o movimento Houthi, coronel Turki al-Malki, diz que não restam dúvidas acerca do envolvimento do Irão no ataque às refinarias sauditas e desmente que os mísseis tenham sido lançados do Iémen.

"Os resultados preliminares mostram que as armas são iranianas e estamos a trabalhar para determinar a localização", declarou Malki aos jornalistas, em Riade, para defender que "o ataque não teve origem no Iémen, como alegaram os Houthis".O embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Kelly Craft, sustenta igualmente que “a responsabilidade é do Irão”.

Os funcionários dos serviços de informações dos Estados Unidos, citados pelo New York Times, já tinham divulgado, após analisarem a sua trajetória, que os mísseis haviam sido disparados a partir do norte do Golfo Pérsico.

Turki al-Malki acrescentou que a localização exata de lançamento dos drones seria revelada em conferência de imprensa num futuro próximo.
Houthis ameaçam com novos ataques

O ataque que incendiou duas grandes refinarias da petrolífera saudita Aramco no passado sábado foi reivindicado pelos rebeldes Houthis - apoiados politicamente pelo Irão -, que mais tarde explicaram ter-se tratado de uma retaliação contra a intervenção saudita no Iémen.

Esta segunda-feira, os rebeldes iemenitas ameçaram conduzir novos ataques na Arábia Saudita.

“Temos um longo braço e que pode atingir qualquer local em qualquer momento”, declarou o porta-voz dos rebeldes iemenitas, Yahiya Saree, numa mensagem ao regime saudita.

Yahiye Saree apelou ainda a Riade para “rever as suas opções e pôr termo à agressão e ao bloqueio contra o Iémen”.

Saree, citado pela televisão Al-Massirah controlada pelos rebeldes, aconselhou as companhias e cidadãos estrangeiros a evitar as instalações petrolíferas sauditas que, garantiu, permanecem “na mira” dos Houthis.
Irão rejeita acusações
O governo iraniano negou qualquer envolvimento no ataque, mas não invalidou que vários dedos fossem apontados pelos sauditas e pelo governo norte-americano a Teerão.

Donald Trump, num tweet publicado na noite de domingo, disse que os Estados Unidos estão “carregados e prontos” para responder ao ataque, alegando saber quem é o “culpado”.

"As refinarias de petróleo da Arábia Saudita foram atacadas. Há razões para pensar que conhecemos o culpado, estamos carregados e prontos, com verificação pendente, mas estamos a aguardar por notícias do reino [saudita] sobre quem eles acreditam que foi a causa desse ataque e em que termos vamos prosseguir!", escreveu Trump.


Contrariamente ao presidente norte-americano, que não revelou as suas suspeitas relativamente à autoria do ataque, o secretário de Estado, Mike Pompeo, não hesitou em acusar o Irão.Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, diz estar “bem preparado” para a possibilidade de ser envolvido num eventual confronto entre os EUA e o Irão.

“Apesar de todos os alertas sobre os pedidos de redução, o Irão lançou agora um ataque sem precedentes no fornecimento de energia do mundo”, escreveu Mike Pompeo na sua conta pessoal do Twitter.

"Desafiamos todas as nações para que condenem publicamente de forma inequívoca os ataques do Irão", pediu Pompeo. "Os Estados Unidos trabalharão com os seus parceiros e aliados para garantir que o mercado de energia permanece bem abastecido e o Irão seja responsabilizado pela sua agressão", acrescentou o secretário de Estado dos EUA num outro tweet.


Portugal também se pronunciou sobre o ataque de sábado. Num comunicado enviado à imprensa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros condena “veemente o ataque perpetrado sobre instalações petrolíferas da Aramco na Arábia Saudita”. Acrescenta que se trata de uma “clara violação do Direito Internacional e dos esforços pela segurança regional do Golfo”.

Ainda no comunicado, Portugal lança um apelo “à contenção de todas as partes envolvidas e insta ao diálogo como forma de reduzir as tensões na região”.
Preço do petróleo aumenta
De acordo com a agência Reuters, o ataque às instalações sauditas causou a maior quebra no fornecimento de petróleo em termos absolutos das últimas cinco décadas.

Esta segunda-feira, com a abertura dos mercados asiáticos, os preços do barril de petróleo dispararam quase 20 por cento.

O porta-voz da coligação militar, Turki al-Malki, disse que "este ato covarde tem como alvo principal a economia global e não a Arábia Saudita".

Por sua vez, o analista Jeffrey Halley, da financeira OANDA, em declarações à agência France-Presse, explicou que "as tensões no Médio Oriente estão a subir rapidamente, o que significa que este cenário [subida do preço do petróleo] continuará a ecoar toda a semana”.

O secretário de Estado britânico para os Assuntos Internos sublinhou igualmente que este ataque "tem implicações para os mercados" a nível global e sublinhou o apoio do Reino Unido a Riade.

Donald Trump também declarou estar disposto a autorizar o recurso às reservas de petróleo norte-americanas, "caso necessário", para estabilizar os mercados de energia.


c/ Agências

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