Assange acusado de usar embaixada equatoriana como “centro de espionagem”

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Julian Assange no dia em que foi detido na embaixada equatoriana em Londres, a 11 de abril de 2019
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O Presidente do Equador, Lenín Moreno, acusa o cofundador da WikiLeaks de tentar criar um “centro de espionagem “ na embaixada do Equador em Londres. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Moreno explicou os motivos de expulsão do asilo de Julian Assange, detido no Reino Unido na passada quinta-feira.

Segundo o presidente equatoriano, Assange violou as condições de asilo e tentou criar um centro de espionagem na embaixada do Equador, país que lhe concedeu asilo político há sete anos.

“Não podemos permitir que a nossa casa, a casa que abriu as suas portas, se torne um centro de espionagem. Esta atividade viola as condições de asilo”, acrescentou o líder equatoriano na entrevista.

Moreno acusa o governo anterior de ter fornecido condições a Assange para usar a embaixada equatoriana para “interferir em assuntos de outros Estados”.

No entanto, as acusações a Assange que levaram à revogação do seu asilo geraram controvérsia no Equador. Rafael Correa, antigo presidente do país, considera que este é "um crime que a humanidade jamais esquecerá" e que Lenín Moreno é “o maior traidor da história equatoriana e latino-americana”.

Segundo o jornal britânico, o WikiLeaks estava associado a um site anónimo que publicou informações e fotos particulares de Moreno e da sua família, numa alegada campanha para enfraquecer a imagem do atual presidente equatoriano. Moreno negou que as recentes acusações a Julian Assange, tenham sido uma represália pela exposição dos referidos documentos pessoais.

Na mesma entrevista, o presidente equatoriano dá como exemplo da interferência de Assange em assuntos internos de outros estados, a publicação dos documentos do Vaticano, em janeiro de 2019. “É lamentável que haja pessoas dedicadas a violar a privacidade das pessoas”, acrescentou.



Assange foi criticado pelos seus comportamentos para com a equipa diplomática de Londres e de higiene. “Ele manteve constante comportamento higiénico inadequado ao longo de sua estadia, o que afetou sua própria saúde e afetou o clima interno da missão diplomática.”, referiu Moreno.

Ao The Guardian, Moreno afirmou que recebeu garantias do Reino Unido de que o cofundador do WikiLeaks não será extraditado para um país em que possa ser sujeito a tortura, maus tratos ou condenado a pena de morte.

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