Ataque a escola na Florida. Trump apela à união e a uma cultura de amor e de bondade

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Donald Trump na casa Branca, fala à nação após o segundo pior massacre numa escola dos EUA, ocorrido em Parkland, na Florida
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O Presidente dos EUA falou à nação, um dia depois do segundo pior massacre de sempre numa escola norte-americana. Donald Trump apelou os americanos a trabalhar juntos para "criar no nosso país uma cultura que abrace a dignidade da vida, que crie ligações humanas profundas e significativas e que transforme colegas em amigos e vizinhos".

"Respondam ao ódio com amor, respondam à crueldade com bondade", exortou o Presidente, a partir da Casa Branca, em Washington.

O tiroteio de quarta-feira, na escola secundária Marjory Stoneman Douglas, resultou na morte de 17 pessoas e tornou-se o maior massacre em recinto escolar alguma vez ocorrido nos Estados Unidos, depois do massacre de 20 crianças e seis educadoras em 2012, na escola elementar Sandy Hook em Newtown, Connecticut.

O pior massacre do género deu-se em 2007, na Virginia Tech, onde foram abatidas 32 pessoas. Os ataques com armas são vistos como o outro terrorismo nos EUA.

O homicida, um jovem de 19 anos, ex-estudante naquele estabelecimento de ensino, de onde foi expulso por razões disciplinares, entrou na escola e disparou sobre alunos e funcionários, semeando o pânico.

Trump lembrou esta quinta-feira que ele "assassinou 17 pessoas e deixou outras 14 gravemente feridas".
"Toda a nossa nação, de coração pesado, está a rezar pelas vítimas e suas famílias e amigos das vítimas", disse Trump. "Para cada pai, professor e criança, que está a sofrer tanto, estamos aqui para aliviar a vossa dor, estamos todos unidos como uma única família".
Este novo massacre numa escola revoltou milhares de pessoas, que pedem explicações. As vozes que exigem maior controlo de armas ganharam novo fôlego.

"Numa altura de choque e de dor, a América procura respostas", reconheceu Trump, evitando contudo cuidadosamente o tema do acesso de civis a armas de fogo.

O Presidente preferiu garantir aos sobreviventes e a todas as crianças "que se sentem perdidas, sózinhas, confusas e até assustadas" que "vocês não estão sozinhas e nunca estareis".

"Vocês têm pessoas que cuidam de vocês, vos amam e que farão tudo o que puderem para vos proteger", disse Trump, referindo que o Governo federal está a trabalhar para investigar este incidente e explicar o sucedido.

O Presidente lembrou também que se vai reunir nos próximos dias com os Governadores e procuradores gerais dos EUA, para estudar formas de prevenir estas situações e anunciou que deverá visitar Parkland nos próximos dias, para estar com as famílias das vitimas e as autoridades, a quem agradeceu de forma especial a "coragem" demonstrada.

Donald Trump referiu as palavras de um salmo, em que Deus diz ao povo "ouvi as vossas orações e vi as vossas lágrimas", para sublinhar que os americanos confiam nessa promessa de auxílio e que "estamos junto dos nossos concidadãos neste momento de dor".
Procurador-geral promete "agir"
Durante um encontro com xerifes, o procurador-geral norte-americano, Jeff Sessions, prometeu por seu lado que o Departamento de Justiça vai fazer tudo para impor as leis federais sobre armas e crimes-violentos, e trabalhar para identificar ameaças de potenciais atiradores em massa.

"Não se pode negar que algo perigoso e pouco saudável está a suceder e estamos, uma vez mais, a ver imagens das nossas crianças - aterrorizadas - a deixar a sua escola com as mãos acima da cabeça", disse Sessions.

"Vamos agir", prometeu. "Devemos inverter esta tendência".O FBI investigou há um ano uma ameaça de tiroteio numa escola colocada na rede YouTube mas foi incapaz de identificar a pessoa responsável, admitiu o agente encarregado da investigação ao incidente em Parkland, Florida.

O autor do tiroteio de quarta-feira foi identificado como Nikolas Cruz, solitário e grande amante de armas. O jovem, de 19 anos, vai ser presente ainda esta tarde em tribunal, acusado de 17 homicídios premeditados.

Cruz pôs-se em fuga depois dos disparos, mas acabou detido pela polícia uma hora depois, numa zona residencial, tendo-se rendido pacificamente. Consigo trazia uma espingarda tipo AR-15 e muitas munições.

A polícia acredita que ele agiu sozinho mas está ainda a tentar perceber o que o motivou.

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Escola Secundária Marjory Stoneman Douglas, Florida, Nikolas Cruz, Donald Trump,

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