Reportagem Atentado abala França com eleições presidenciais à porta

Está identificado o presumível autor do ataque da noite de quinta-feira na Avenida dos Campos Elísios, em Paris: Karim Cheurfi, um homem de 39 anos natural de Livry-Gargan, em Seine-Saint-Denis, arredores da capital francesa.

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Fechamos aqui o acompanhamento minuto a minuto da situação em Paris.

13h40 - Karim Cheurfi sinalizado em dezembro de 2016 por radicalização


O atacante abatido ontem à noite nos Campos Elísios tinha sido assinalado desde 2016 pelas forças de segurança devido a radicalização.

De acordo com o jornal Le Monde, nessa altura Karim C. foi denunciado devido à sua vontade de matar polícias para se vingar dos muçulmanos mortos na Síria. 

Foi igualmente assinalado nesse período por ter dito que estava à procura de armas e por pretender entrar em contacto com alguém que se dizia combatente do autoproclamado Estado Islâmico na zona sírio-iraquiana. Foi então aberto um inquérito judiciário, confiado à Policia Judiciária de Meaux, o qual se mantém como inquérito de direito comum.

A partir de janeiro de 2017, Karim C. foi incluído nos ficheiros de sinalização para a prevenção e a radicalização de caracter terrorista, criados em 2015 alguns meses depois do ataque ao Charlie Hebdo, para centralizar mais eficazmente o seguimento dos indivíduos cujo nível de radicalização os tornava suscetíveis de resvalar para o terrorismo. 

Este ficheiro contém atualmente cerca de 16 mil entradas, quatro mil das quais "objeto" dos serviços. A 23 de fevereiro, Karim C. foi interpelado mas a sua detenção não produziu resultados, nem as buscas ao seu domicílio.

Foi somente em março de Karim C entrou nos radares da Direcção Geral da Segurança Interna (DGSI). O inquérito realizado pela PJ de Meaux encontra-se como pólo anti-terrorista da Procuradoria de Paris. A 9 de março, a DGSI é envolvida devido à vontade cada mais mais evidente de Karim C. de entrar em contacto com o combatente referido.

A sua perigosidade contudo não é considerada prioritária. Perfis como o de Karim C. são atualmente muito numerosos, a DGSI segue cerca de dois mil indivíduos com ligações às fileiras sírio-iraquianas. É impossível seguir em tempo real 24 sobre 24 horas todos os indivíduos. As investigações não permitiram estabelecer uma ligação formal com um projecto terrorista.

Karim Cheurfi saiu da prisão em 2015. Desde então estava sob liberdade condicional que deveria terminar no outono de 2017. De acordo com uma fonte próxima do dossier questionada pelo Le Monde sexta-feira de manhã, ele não respeitava sempre as suas obrigações de comparecer perante um juiz, por exemplo. Não tinha no entanto violado manifestamente a liberdade condicional, de acordo com outra fonte.

A sua radicalização era recente e foi fulgurante, tendo escapado aos serviços apesar do reforço considerável de meios nos últimos cinco anos.

13h10 - AR condena atentado

A Assembleia da República condenou hoje o atentado terrorista ocorrido na quinta-feira em Paris, do qual resultou a morte de um polícia e do atacante, e reafirmou o empenho de Portugal na prevenção e combate ao terrorismo.

O voto de condenação foi proposto pelo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e por todas as bancadas parlamentares, sendo aprovado por unanimidade.

"A Assembleia da República reafirma uma vez mais o empenho de Portugal na prevenção e combate global ao terrorismo e expressa a mais veemente condenação pelo atentado de ontem [quinta-feira]", refere o voto.

No texto, os deputados afirmam estar certos de que o ataque não perturbará as eleições presenciais francesas, cuja primeira volta se realiza no domingo.

13h05 - Campanha de Fillon responde a Cazeneuve

O coordenador da campanha de François Fillon, Bruno Retailleau reagiu às palabras do primeiro-ministro Bernard Cazeneuve, que acusou Fillon e Marine Le Pen de "excesso" após o tiroteio nos Campo Elísios.

"Qual excesso? O de prestar homenagem aos polícias? O de anunciar uma luta implacável contra o terrorismo islamita?", respondeu em comunicado Retailleau, convidando "o primeiro-ministro a manter o seu sangue-frio" e a evitar "as polémicas que não têm razão de ser".


13h00 - Filon mantém que houve "outros ataques" em Paris
Apesar dos desmentidos , o candidato da Direita manteve esta manhã as suas palavras de quinta-feira à noite, quando revelou que se deram outros tiroteios além do ataque nos Campos Elísios.

"Eles existiram. Outros ataques deram-se ontem à noite. Consultem os relatórios da polícia", lançou aos jornalistas na sua sede de campanha.

Tanto o ministro do Interior como a Prefeitura da Polícia desmentiram de novo ao Le Monde esta manhã a ocorrência "de outras violências noutros locais de Paris", depois do tiroteio.

12h55 - Fillon promete manter o estado de emergência

O candidato da direita às presidenciais francesas, François Fillon, prometeu, se for eleito, manter o estado de emergência em França, na sequência do atentado de quinta-feira em Paris, em que um polícia foi morto.

Numa declaração na sede da campanha, Fillon disse assumir “a luta pela liberdade e pela segurança do povo francês” e que ela deve ser “a prioridade” do próximo presidente.

O candidato prometeu que, se for eleito, vai reforçar a polícia e as forças militares e lançar uma “iniciativa diplomática” contra o extremismo islâmico.

França está em estado de emergência desde os atentados de 2015 em Paris.

12h30 - Macron "implacável" contra o terrorismo

No dia seguinte ao atentado, o candidato Emmanuel Macron prometeu ser 'implacável' contra o terrorismo, repetindo pontos chave do seu programa.

"O primeiro papel do Presidente da República enquanto chefe das Forças Armadas e garante das nossas instituições é proteger os franceses", afirmou perante apoiantes.

O candidato propõe nomeadamente a criação de 10 mil lugares nas forças  políciais e "instalar diretamente próximo do Presidente um orgão de coordenação capaz de agir 24 sobre 24 horas contra o Daesh" - referindo-se ao auto-proclamado Estado Islâmico.

Macron pretende ainda "consolidar" os serviços de informação territoriais.

12h20 - Hollande visitou agentes feridos

O presidente francês, François Hollande, visitou hoje os dois polícias feridos no ataque de quinta-feira, reivindicado pelo Estado Islâmico, em Paris.

Hollande deslocou-se ao Hospital Georges Pompidou, na capital francesa, acompanhado do primeiro-ministro, Bernard Cazeneuve, e pelo ministro do Interior, Matthias Fekl.

Logo após a visita aos dois polícias que ficaram feridos durante o ataque, o chefe de Estado demonstrou apoio às forças da ordem deslocando-se à Prefeitura da Polícia de Paris.

O porta-voz da Polícia Nacional, Jérôme Bonet, disse hoje que os dois agentes hospitalizados não correm perigo de vida, apesar das informações de quinta-feira que davam conta de que um dos polícias apresentava ferimentos considerados graves.

De acordo com a imprensa francesa, o polícia assassinado pelo atacante tinha 37 anos e encontrava-se a comer, desarmado, na altura em que o atacante o atingiu com um tiro na cabeça.


12h08 - Governo acusa extrema-direita e direita

O Governo socialista francês acusa a extrema-direita de 'instrumentalizar' o atentado de quinta-feira, ocorrido dois dias antes da primeira volta das eleições presidenciais.

O primeiro ministro, Bernard Cazeneuve, afirmou que não existe nenhuma prova que ligue o incidente à imigração e acusou Marine Le Pen de "explorar o medo, sem vergonha".



Cazeneuve lembrou que Le Pen votou anteriormente contra esforços governamentais para reforçar a segurança nacional.

O primeiro-ministro socialistaapontou o dedo também ao candidato da Direita, François Fillon, com críticas à sua política de segurança quando este era primeiro-ministro. 

"Ele preconiza a criação de 10 mil lugares nas forças policiais. como acreditar a este propósito um candidat quando este enquanto primeiro-ministro suprimiu 13 mil postos nas forças de segurança interna?" perguntou Cazeneuve, referindo que o candidato presidencial quer reduzir 500 mil funcionários públicos.

Cazeneuve lamentou ainda que Le Pen e Fillon tivessem escolhido "o excesso e a divisão".

Marine Le Pen, a candidata da Frente Nacional, exigiu esta manhã o fim da 'ingenuidade', a reativação dos controlos fronteiriços e a expulsão de todos os estrangeiros referenciados pelos serviços secretos.das fronteiras.

Le Pen afirmou ser imperativo “reforçar os meios policiais, meios morais e materiais”.

Face às críticas de Cazeneuve, a Frente Nacional reagiu de imediato pelo seu número dois, Florian Philippot. 

"Pela sua inconsequência e ligeireza, Cezeneuve deveria ter-se demitido há muito tempo", escreveu Philippot na sua conta da rede social Twitter. 

12h05 - Encontrado texto em defesa do Estado Islâmico

Uma nota escrita em defesa do Daesh (acrónimo em árabe de ISIS - o autoproclamado Estado Islâmico) foi encontrado perto do corpo do atacante de quinta-feira, afirmam fontes próximas da investigação. 



12h00 - Ponto de situação

- O atacante abatido nos Campos Elísios chama-se Karim Cheurfi, tinha 39 anos e era conhecido das autoridades por crimes de delito comum desde 1996

- Não estava referenciado como "S" nem estava no radar do antiterrorismo até fevereiro e a abertura de um inquérito após ameaças de morte proferidas contra as forças da ordem.

- Pesquisas realizadas no seu domicílio em Seine-et-Marne descobriram "elementos de radicalização", confirmaram fontes próximas do dossier, sem dar detalhes.

- Vários membros das suas relações foram detidos sexta-feira, um procedimento clássico que não implica forçosamente que são suspeitos de cumplicidade.

- A organização jiadista Estado Islâmico reivindicou o ataque quinta-feira à noite, através do seu orgão de propaganda, a revista Amaq.

- A Procuradoria belga desmentiu qualquer relação imediata entre o ataque em Paris e o inquérito visando um homem que se entregou à polícia em Antuérpia.

11h50 - Trump reage

O Presidente dos EUA reagiu na sua página da rede social Twitter ao atentado de quinta-feira, lamentando "mais um atentado terrotista em Paris".


"Os franceses não aguentam muito mais", acrescentou, considerando ainda que o efeito sobre a eleição presidencial será importante.

11h35 - Polémica sobre os alertas esclarecida pelo Ministério do Interior

Questionado sobre as razões de não ter lançado um alerta à população o Ministério do Interior de França esclareceu que este não se revelou necessário.

A aplicação governamental SAIP, concebida para alertar a população em caso de atentado ou outra ocorrência grave, não foi utilizada quinta-feira à noite com o ataque nos Campos Elísios.

O porta-voz do Ministério do Interior, Pierre-Henry Brandet, afirmou que a polícia reagiu rapidamente e estabeleceu um perímetro de segurança em torno do quarteirão, pelo que a decisão de não lançar o alerta foi "deliberada".

Acrescentou que outros canais de comunicação, nomeadamente as redes sociais, foram utilizados para alertar a população. 

Fontes policiais afirmaram ao jornal Le Monde que circularam por outro lado diversos falsos alertas ontem à noite.

"Houve muita confusão e avisos de outros tiroteios mas era tudo falso", afirmou uma delas, sem contudo falar de relatórios escritos sobre o que sucedeu.

Outra fonte afirmou que um indivíduo, embriagado, foi interpelado cerca das 20 horas no 1º arrondissement de Paris por violência contra a autoridade e tentativa de roubo. O homem, de 55 anos, tentou roubar a arma de um dos militares da operação "Sentinela" perto de uma estação de metro mas acabou por ser dominado e detido. O incidente deu-se antes do atentado dos Campos Elísios e nada teve a ver com esse tiroteio.

11h20 - Homem que se entregou às autoridades ilibado

As autoridades belgas esclareceram que o homem belga implicado por suspeitas de ligação ao tiroteio desta quinta-feira à noite em Paris e que, entretanto, se entregou, não está relacionado com o atentado nos Campos Elísios. 

"Esse homem veio à polícia ontem à noite depois de se ver aparecer nas redes sociais como o principal suspeito relacionado com os factos de ontem”, informou um procurador belga na cidade de Antuérpia, citado pela agência Associated Press, que recusou ser identificado.

O mesmo responsável deixou claro que o homem “não faz parte de uma investigação de terrorismo”.

Além de ter um álibi a provar que não se encontrava em Paris, o homem era citado numa investigação completamente diferente, ligada a estupefacientes, referem as autoridades belgas.

Os serviços de segurança da Bélgica estão concentrados agora na reivindicação do autoproclamado Estado Islâmico, que mencionou um combatente belga, Abou Youssef Al-Belgiiki. Para já, nenhum combatente belga referenciado nas fileiras do grupo corresponde a este nome.

11h10 - Autor do ataque foi detido em fevereiro por ameaçar a polícia

O autor do ataque de quinta-feira em Paris, reivindicado pelo Estado Islâmico, tinha sido detido em fevereiro por ameaças contra a polícia tendo sido libertado à posteriori.

A informação foi dada à Associated Press por duas fontes oficiais francesas, sob anonimato por não terem sido autorizadas a pronunciarem-se publicamente sobre o ocorrido quinta-feira em Paris.

Referiram que o autor do atentado foi detido no final do mês de fevereiro após ter verbalizado ameaças contra a polícia. Posteriormente foi libertado por falta de provas.

10h58 - François Fillon intervém

Outro candidato ao Eliseu, o conservador François Fillon, vem defender que o combate ao "totalitarismo islamita" deve constituir uma prioridade para o próximo Presidente francês.

"Esta batalha pela liberdade e pela segurança dos franceses deve ser a prioridade do próximo governo. Vai exigir uma determinação sem quartel e cabeça fria", declara.

"Somos nós ou eles", resumiu.

10h50 - francês, não belga

Retomamos aqui a cobertura minuto a minuto dos acontecimentos em França, na manhã seguinte ao tiroteio na Avenida dos Campos Elíseos, em Paris.

O atentado da última noite foi rapidamente reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico, através da agência de propaganda Amaq: “O autor do ataque dos Campos Elísios, no centro de Paris, é Abu Yussef, o belga, e é um dos combatentes do Estado Islâmico”.



Contudo, o próprio ministro belga do Interior, Jan Jambon, veio já esta manhã afirmar, na estação pública VRT, que o homem responsável pelo tiroteio tinha nacionalidade francesa.

E entretanto a edição online do jornal francês Le Monde identificou o atirador como Karim Cheurfi, um homem de 39 anos natural de Livry-Gargan, em Seine-Saint-Denis, arredores de Paris.

Por sua vez, a Reuters noticiou, com base numa fonte judicial, que a polícia francesa deteve nas últimas horas três familiares do homem abatido na Avenida dos Campos Elísios. O ataque causou a morte de um polícia. Outros dois agentes ficaram feridos. Há também notícia de um turista com ferimentos ligeiros.

Pista belga

Um outro homem referenciado à polícia francesa pelas autoridades belgas, na sequência do tiroteio em Paris, entregou-se em Antuérpia.

“O homem alvo de um alerta de procura difundido pelas autoridades belgas apresentou-se numa esquadra de Antuérpia”, confirmou esta manhã Pierre-Henry Brandet, porta-voz do Ministério francês do Interior, citado pelas agências internacionais.

Em declarações à rádio Europe 1, o porta-voz francês não quis, no entanto, dar por adquirida uma ligação entre o homem sinalizado pelas autoridades belgas e os acontecimentos da última noite no coração de Paris.


“Se ele está ligado de perto ou de longe ao que aconteceu nos Campos Elísios? Não vos posso dizê-lo”, respondeu Pierre-Henry Brandet, para acrescentar que subsiste ainda “um determinado número de informações por verificar”.

“Não podemos fechar nenhuma porta”, rematou.

Fonte próxima da investigação ao tiroteio de Paris, citada pela France Presse, adiantou que o homem identificado pela polícia belga, com 35 anos de idade, foi descrito como “muito perigoso”. As autoridades da Bélgica terão encontrado, durante uma diligência de busca, um bilhete de comboio para França, com a data de 20 de abril, armas de fogo e “capuzes”.

Primeiros impactos na campanha

O ataque foi perpetrado a três dias da primeira volta das eleições presidenciais francesas.

Esta manhã, após uma reunião do Conselho de Defesa convocada pelo Presidente François Hollande, o primeiro-ministro, Bernard Cazeneuve saiu a público para sublinhar que “nada deve dificultar” o processo eleitoral, apelando aos franceses para que “não cedam à divisão”.

Cazeneuve quis ainda garantir que as forças de segurança francesas, incluindo as unidades de elite, estão totalmente mobilizadas para a proteção dos cidadãos durante a jornada eleitoral do próximo domingo.

O tiroteio teve início no momento em que os 11 candidatos à Presidência de França se perfilavam nos ecrãs televisivos para esgrimirem os derradeiros argumentos. Três deles, a líder da extrema-direita Marine Le Pen, o conservador François Fillon e o centrista Emmanuel Macron, acabariam por anunciar a anulação das últimas ações de campanha, previstas para esta sexta-feira.

Por contraste, o esquerdista Jean-Luc Mélenchon decidiu manter a ação de campanha prevista para esta sexta-feira em Paris, propondo-se “demonstrar que os violentos não terão a última palavra contra os republicanos”.

Le Pen, o rosto da Frente Nacional, defendeu, por seu turno, ser necessário “parar com a ingenuidade” e “reforçar os meios policiais, meios morais e materiais”. E já esta manhã propugnou a reativação dos controlos fronteiriços e a expulsão de todos os estrangeiros referenciados pelos serviços secretos.

Emissão da RTP3

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