Autoridade Palestiniana recusa receber impostos que Israel cobra em seu nome

por Lusa
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A Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) recusou receber de Israel os impostos que este país cobra mensalmente em seu nome, no âmbito do fim das relações entre as duas partes anunciada pelo presidente Mahmud Abbas.

O porta-voz do governo palestiniano, Ibrahim Melhem, confirmou a medida sobre a transferência de fundos que deveria ter ocorrido em maio, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

O Protocolo Económico dos Acordos de Paz de Oslo entre israelitas e palestinianos determina que Israel cobre taxas alfandegários sobre mercadorias importadas e exportadas da Cisjordânia e Faixa de Gaza e que depois transfira o dinheiro para a ANP, o órgão de autogoverno dos palestinianos.

Mas no mês passado, Abbas declarou o fim de todos os acordos com os Estados Unidos e Israel, afirmando que Telavive deve cuidar das necessidades dos palestinianos como potência ocupante, numa reação ao projeto israelita de anexar partes da Cisjordânia a partir de julho.

O protesto palestiniano ocorre apesar das dificuldades financeiras com que a Cisjordânia se debate, devido a possuir uma economia altamente dependente de Israel e da ajuda internacional, situação agravada pela pandemia do novo coronavírus.

O novo Governo de união israelita deverá apresentar a partir de 01 de julho a sua estratégia para aplicar o plano da administração norte-americana para o Médio Oriente, que prevê a anexação por Israel do vale do Jordão e dos colonatos na Cisjordânia.

A possibilidade de anexação daquele território palestiniano também foi rejeitada por boa parte da comunidade internacional.

Na Cisjordânia vivem 2,7 milhões de palestinianos e cerca de meio milhão de israelitas em colonatos ilegais face à lei internacional.

Os representantes do Quarteto para o Médio Oriente, constituído pela União Europeia, Estados Unidos, Rússia e ONU, analisam hoje numa videoconferência o aumento das tensões devido aos planos israelitas.

O Quarteto para o Médio Oriente, criado em Madrid em 2002, visa conseguir uma solução pacífica para os conflitos nesta região.

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