BE regista algumas mudanças na democracia angolana, mas ainda está a avaliar

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O BE manifestou hoje abertura "para reavaliar a posição" em relação à forma como é vivida a democracia em Angola, estando atualmente em fase de avaliação, apesar de registar "algumas mudanças" reconhecidas por ativistas e agentes políticos.

Em declarações à agência Lusa a propósito da visita oficial do chefe de Estado angolano, João Lourenço, a Portugal, de quinta-feira a sábado, o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, garantiu que os bloquistas não são "insensíveis às demonstrações de ativistas e de agentes políticos de que há algumas mudanças em curso" em Angola.

"Nós registamos que há mudanças e por isso estamos numa posição de abertura para poder reavaliar a nossa posição em relação à forma como a democracia é vivida em Angola, como os direitos e as liberdades são respeitados", admitiu.

No entanto, segundo Pedro Filipe Soares, esta é ainda uma "fase muito inicial deste processo" porque "ainda passou pouco tempo".

"Temos ainda algumas cautelas para avaliar da evolução ao longo de tempo e percebermos se esses passos são passos no sentido de mais liberdades no futuro ou se são apenas epifenómenos de curta dimensão e de curto período de tempo após as eleições que existiram", justificou.

O BE espera "que esta nova fase permita cimentar uma democracia com uma liberdade plena e com direitos de cidadania", tendo expectativa de que "o relacionamento com Portugal também possa ajudar nesse caminho".

"Nós esperamos que as relações com Portugal sirvam não para branquear atropelos a direitos humanos, atropelos a liberdades políticas e individuais - como no passado aconteceu -, mas sim para haver uma cooperação institucional entre os dois países que ajude a trazer ao de cima o bom que há nos dois países e a assunção de todo o seu potencial numa democracia exigente, plural, participada", afirmou.

Pedro Filipe Soares insistiu por diversas vezes que esta é "ainda uma fase de avaliação" dos "desenvolvimentos de alterações decorrentes das eleições angolanas com este novo Governo e novo chefe de Estado".

"Estamos a ter em conta nesta avaliação as opiniões dos ativistas, dos agentes políticos, dos partidos políticos que têm lutado pelos direitos e liberdades em Angola e, no conjunto desta informação, estamos a tentar avaliar se existe ou não matéria para uma evolução na posição do Bloco de Esquerda", detalhou.

O BE sempre foi um partido muito crítico do regime do antigo presidente José Eduardo dos Santos e, há poucos meses, na sua rentrée política, um dos convidados foi o jornalista angolano Rafael Marques, como orador do painel a "situação política em Angola".

Em outubro de 2015, no arranque da sessão parlamentar, os 19 deputados bloquistas vestiram t-shirts com as caras dos 17 ativistas que estavam então presos em Angola, pedindo "Liberdade Já" para Luaty Beirão e companheiros.

A líder do BE, em declarações aos jornalistas nesse dia, disse que se Portugal não denunciasse esta situação seria cúmplice de um atentado aos direitos humanos.

No ano seguinte, em 2016, a rentrée do BE contou com a participação via internet de Luaty Beirão.

 

 

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