Biden ameaça Putin com sanções pessoais se a Rússia invadir a Ucrânia

por Cristina Sambado - RTP

O Presidente norte-americano revelou que não descarta a possibilidade de impor sanções pessoais sobre o seu homólogo russo se Moscovo invadir a Ucrânia. A probabilidade surge quando os líderes ocidentais intensificaram os preparativos militares e fazem planos para proteger a Europa do corte do gás da Rússia. E a NATO reforçou os meios de combate na região em resposta ao envio de tropas russas para a fronteira.

Para Biden, uma invasão por parte da Rússia exporia aquela potência a “sanções económicas e políticas significativas”, incluindo sanções que podem atingir diretamente Vladimir Putin.
“Se ele avançasse com todas aquelas forças, seria a maior invasão desde a Segunda Guerra Mundial. Isso mudaria o mundo”, afirmou.

A Rússia concentrou cerca de dez mil soldados na sua fronteira com a Ucrânia nos últimos meses, o que levou os EUA e os aliados da NATO a acusar Moscovo de pretender invadir novamente o país vizinho, depois de ter ocupado e anexado a Crimeia em 2014.

No entanto, Biden assegurou que não tem intenção de enviar tropas norte-americanas ou da NATO para a Ucrânia e recusou-se a especular sobre o momento em que pode ocorrer um ataque russo.

“Não temos intenções de enviar forças norte-americanas ou da NATO para a Ucrânia”, frisou.

“Seria como ler borras de café [como ler o futuro]”, acrescentou, lembrando que “tudo depende da decisão” de Putin.

Um alto funcionário dos EUA estabeleceu que as sanções económicas vão ter “consequência massivas” que vão mais longe do que as implementadas em 2014, depois de a Rússia ter invadido a região de Crimeia, na Ucrânia.

Moscovo nega estar a planear uma invasão e frisa que esta crise está a ser impulsionada por ações da NATO e dos Estados Unidos. Putin exige garantias de segurança do Ocidente, incluindo uma promessa da Organização do Tratado do Atlântico Norte de nunca admitir a Ucrânia como membro. A Rússia vê a ex-república soviética como um amortecedor entre as duas partes.

A ameaça de sanções a Putin ocorre numa altura em que os Estados Unidos se preparam para o desvio de suprimentos de gás natural de todo o mundo para a Europa no caso de a Rússia cortar o fornecimento.Moscovo já restringiu o fluxo de gás natural através do gasoduto que atravessa a Ucrânia de cerca de 100 milhões de metros cúbicos por dia para 50 milhões.

Os Estados Unidos revelaram, na terça-feira, que estavam a negociar com fornecedores mundiais e que estão confiantes de que a Europa não vai sofrer uma perda de energia de aquecimento durante o inverno.

“Para garantir que a Europa seja capaz de sobreviver ao inverno e à primavera, esperamos estar preparados para garantir suprimentos alternativos cobrindo uma maioria significativa do deficit potencial”, avança o Guardian que cita um alto funcionário norte-americano.

A preparação para entregas de gás a granel faz parte de uma campanha norte-americana aos seus aliados europeus para mostrar uma frente unida e coerente a Putin.


Washington está também a preparar restrições às exportações para a Rússia de software e hardware de alta tecnologia fabricado nos Estados Unidos. Uma medida que pode afetar as ambições russas nas áreas aeroespacial, defesa, lasers e tecnologia marítima sensível, inteligência artificial e computadores quânticos.Preocupações na Europa O Presidente francês, Emmanuel Macron e Olaf Scholz, o novo chanceler alemão, reuniram-se em Berlim na terça-feira para coordenar as suas posições após relatos de divergências entre os aliados.

Paris e Berlim nunca abandonariam o diálogo com Moscovo mas “se houver agressão, haverá retaliação e o custo será muito alto”, garantiu o inquilino do Palácio do Eliseu.

Na sexta-feira, Macron deve falar por telefone com Putin para “esclarecer” a posição russa.

Já o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, deu a entender que a Alemanha estava preocupada com a imposição de sanções à Rússia devido à sua dependência do gás russo e acrescentou, no Parlamento, que estão a ser feitos todos os esforços diplomáticos para persuadir Berlim a ir mais longe.

Johnson afirmou que “os amigos europeus” estavam preocupados em impor sanções mais duras a Moscovo devido “à forte dependência do gás russo”. Acrescentando que o Reino Unido está disposto a enviar mais tropas para a Europa ocidental se a Ucrânia for atacada.
Exercícios militares russos O Ministério russo da Defesa revelou que as tropas russas realizaram um novo conjunto de exercícios militares, que envolveram seis mil militares perto da fronteira ucraniana e no interior da Crimeia.

Nos exercícios foi usada munição real com o apoio de caças, bombardeiros, sistemas antiaéreos e embarcações das frotas russas no Mar Negro e Cáspio.

Os líderes ucranianos apelam à tranquilidade, com o ministro da Defesa, Oleksii Reznikov, a afirmar que a invasão não é iminente.

“Não se preocupem, durmam bem. Não há necessidade de fazer as malas”, afirmou Oleksii Reznikov no parlamento.
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