Brexit. Mau acordo pode levar a perda de milhares de empregos na indústria automóvel

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Um mau acordo de saída do Reino Unido da União Europeia pode significar a perda de milhares de empregos, alerta o presidente do Conselho de Administração da Jaguar Land Rover. A oito meses de o Reino Unido deixar o bloco europeu, Ralf Speth ainda desconhece se alguma das quatro fábricas em solo britânico poderá trabalhar no dia seguinte ao Brexit. Um aviso que contou com resposta na hora: o plano da primeira-ministra Theresa May inclui propostas para evitar a perda de emprego na indústria.

O responsável pela produção de um terço do total dos carros ingleses lançou o aviso, em Birmingham, no centro de Inglaterra.

“O Brexit vai acontecer no dia 29 março do próximo ano. Atualmente nem sequer sei se qualquer das nossas unidades de produção no Reino poderá funcionar no dia 30”, desabafou Ralf Speth, presidente do Conselho de Administração do maior fabricante britânico de automóveis."Um milhar (de empregos no Reino Unido) foi perdido por causa das políticas para o diesel e esse número vai subir para as dezenas de milhar se não conseguirmos o acordo certo para o Brexit”, acrescentou, aludindo aos despedimentos que a empresa, com mais de 40 mil funcionários, levou a cabo em 2018.

“Que decisões vou ser forçado a tomar se o Brexit implicar não só a subida dos custos mas também que não possamos construir fisicamente carros no Reino Unido dentro dos prazos e dos orçamentos?”, questionou.

Ralf Speth notou ainda que sairia “milhares de libras mais barato produzir veículos, por exemplo, na Europa de Leste do que (na unidade de) Solihull”. A Jaguar Land Rover deverá abrir uma nova fábrica na Eslováquia no final deste ano. "Qualquer atrito dentro das nossas fronteiras coloca nossa produção em risco, com um custo de 60 milhões de libras por dia”, sublinhou.

A resposta a Ralf Speth veio através do porta-voz da primeira-ministra. O plano para a saída do Reino Unido da União Europeia “inclui propostas específicas para proteger o emprego em indústrias como a indústria automóvel, que dependem (do sistema de gestão) da cadeia de produção just-in-time. Neste sistema, as partes necessárias para a montagem de um automóvel chegam à linha de produção apenas no momento em que são precisas e somente na quantidade determinada.Theresa May apresentou propostas que "ajudariam a garantir o comércio sem atrito com a UE e veriam nosso setor automóvel a continuar a florescer", notou o porta-voz.

A primeira-ministra britânica está a tentar convencer os deputados do próprio Partido Conservador a aprovarem o seu plano para o Brexit, um plano já comparado pelo antigo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros a um “colete suicida”.

Oitenta dos 315 deputados conservadores podem votar contra o plano de Theresa May, o que poderia levar a uma nova crise de confiança no Governo britânico.

Londres e Bruxelas querem chegar a um acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia na reunião do Conselho de 18 de outubro, Na pior das hipóteses, até ao final do ano.

Theresa May propôs uma área de livre comércio de bens com a União Europeia, aceitando um "conjunto comum de regras".

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