Brexit. Reino Unido esgotará alimentos num cenário sem acordo

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"Back British Farming" é a campanha do Sindicato dos Agricultores do Reino Unido de apoio ao setor agrícola.
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O Sindicato dos Agricultores britânicos alerta para a possibilidade de o Reino Unido ficar sem abastecimentos alimentares no próximo ano caso não seja fechado o acordo do Brexit. O sindicato insiste que o Governo coloque a questão alimentar no topo das preocupações políticas.

Precisamente neste dia, 7 de agosto, o Reino Unido esgotará os recursos alimentares em 2019, caso tenha de se autossustentar. O alerta é deixado pelo Sindicato Nacional dos Agricultores, que se mostra preocupado com os obstáculos que serão colocados à importação de alimentos no pós-Brexit.

O cenário de inexistência de acordo relativamente à saída do Reino Unido da União Europeia é motivo de grande preocupação para os agricultores, considerando que o setor agrícola será dos mais afetados.

“O setor agrícola do Reino Unido poderá vir a ser um dos setores mais afetados por um mau Brexit. Um acordo de livre comércio com a UE sem desentendimentos e o acesso a mão-de-obra confiável e competente para empresas agrícolas são fundamentais para o futuro O governador do Banco de Inglaterra considera “desconfortavelmente elevado” e “indesejado” o risco de um não-acordo para o Brexit.do setor”, defende a líder do sindicato, Minette Batters.

O aviso de Batters surge poucos dias depois de Dominic Raab, ministro do Brexit, ter minimizado o problema e ter assegurado que o Governo iria garantir “abastecimentos alimentares adequados”.

Os números indicam, no entanto, que o problema poderá não ser residual. De acordo com dados do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (DEFRA), a segurança alimentar em Inglaterra encontra-se já numa rota de declínio no longo prazo. O país produz escassos 60 por cento do que necessita para se sustentar, menos 14 por cento relativamente a 1988.
Possível crise alimentar
Numa declaração emitida pelo Sindicato dos Agricultores, Batters expressa a sua preocupação relativamente à incapacidade da Inglaterra de se autossustentar no caso de um divórcio sem acordo.

A mudança dos hábitos alimentares nas últimas três décadas ajudou a fomentar a crescente dependência de alimentos produzidos no exterior. A onda de calor que os britânicos têm sentido nas últimas semanas também não ajuda à capacidade de produção de alimentos, aumentando as preocupações.

Dados estatísticos da DAFRA mostram que o Reino Unido depende da compra de alimentos como a fruta, o principal produto importado, com um grande desequilíbrio na balança – importa quase 20 vezes mais do que produz. Segue-se a carne de porco, batatas, leite e queijo.

Minette Batters defende, no entanto, que existe um “enorme potencial” para reverter a tendência de queda na autossuficiência alimentar: “Embora reconheçamos a necessidade de importar alimentos que só podem ser produzidos em diferentes climas, se maximizarmos os alimentos que podemos produzir no Reino Unido, isso trará uma série de benefícios económicos, sociais e ambientais para o país”.

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