Brexit. UE diz que "ainda falta muito trabalho" antes de um acordo

por Lusa

O principal negociador da União Europeia (UE) para o `Brexit` afirmou este domingo que "ainda falta muito trabalho" para ultrapassar impasse entre Bruxelas e Londres, a 18 dias do prazo atual para a saída britânica do bloco comunitário.

Michel Barnier descreveu, no entanto, como "construtivas" as negociações que decorreram este fim de semana entre Londres e Bruxelas, segundo um comunicado divulgado pela Comissão Europeia.

O principal negociador da UE informou hoje à noite em Bruxelas os 27 embaixadores dos Estados-membros sobre os avanços das conversações com o Reino Unido.

Um diplomata europeu, citado pela agência noticiosa francesa France Presse (AFP), confirmou que neste momento, e após as reuniões do fim de semana, ainda não há um sinal de uma rápida resolução da crise, sugerindo que a posição britânica não tinha ido longe o suficiente.

"Ainda não há avanço. As discussões intensivas continuam. Não é uma posição fácil, especialmente porque faltam apenas alguns dias para a cimeira europeia", disse a mesma fonte, que falou sob a condição de anonimato.

"Se o Governo britânico quer uma solução, deve agir rapidamente. O tempo está passar", acrescentou.

Michel Barnier deverá ainda hoje à noite apresentar junto do Parlamento Europeu um ponto de situação destas negociações, gesto que irá repetir na próxima terça-feira aos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE durante uma reunião no Luxemburgo.

As discussões técnicas entre Londres e Bruxelas devem prosseguir na segunda-feira.

Estas negociações estão a decorrer a poucos dias da reunião do Conselho Europeu de 17 e 18 de outubro em Bruxelas, que tem sido encarada como a última oportunidade para evitar uma saída britânica da UE sem acordo, com pesadas consequências, ou para abordar um possível terceiro adiamento do processo.

No início deste mês, o Reino Unido apresentou uma proposta alternativa para o `Brexit`.

Um dos pontos problemáticos da proposta britânica, segundo o principal negociador da UE, assenta na ausência de "certezas jurídicas" relativamente ao `backstop` (mecanismo de salvaguarda) e no papel reservado à Irlanda do Norte, cujas autoridades autónomas teriam o poder de autorizar (ou revogar) o alinhamento com as regras do mercado comum naquele território todos os quatro anos.

Inicialmente agendada para 29 de março, a saída do Reino Unido foi adiada para 31 de outubro, uma data que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, assegura que irá respeitar, haja ou não acordo entre os 27 e Londres.

Legislação em vigor estipula que o primeiro-ministro britânico é obrigado a pedir uma extensão do processo do `Brexit` por mais três meses, até 31 de janeiro, se não for alcançado um acordo até 19 de outubro nem autorizada uma saída sem acordo.

Na passada quarta-feira, o presidente do Parlamento Europeu, o italiano David Sassoli, disse que a assembleia europeia apoiaria um eventual adiamento do `Brexit` para permitir eleições ou um novo referendo.

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