Cessar-fogo. Rockets voltaram a voar de Gaza e Israel respondeu à letra

por RTP
Suhaib Salem, Reuters

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já tinha dito que da parte israelita "a missão estava cumprida", mas o cessar-fogo negociado esta quinta-feira entre palestinianos e Israel para pôr fim aos piores confrontos na Faixa de Gaza nos últimos meses seria pouco depois violado pelo lançamento de rockets. A resposta israelita voltou a visar a Jihad Islâmica, com o balanço de vítimas mortais nos territórios a atingir os 34 mortos, oito dos quais uma família palestiniana de pastores atingida "por engano".

A contabilidade desta última semana de confrontação entre Israel e militantes palestinianos da Jihad Islâmica ascende aos 34 mortos, todos palestinianos que viviam na Faixa de Gaza: entre estes contam-se três mulheres, oito crianças e 18 militantes islâmicos.

No total, os militantes palestinianos terão lançado contra Israel cerca de 450 rockets, principalmente visando o centro e sul do território, alguns dos quais terão mesmo chegado a atingir o Norte de Telavive.

De acordo com o exército, o sistema de defesa Cúpula de Ferro interceptou 90 por cento dos morteiros, o que não impediu que escolas e estabelecimentos de comércio tivessem sido encerrados nestes dias marcados pelos avisos das sirenes. Um milhão de jovens estudantes israelitas foram obrigados a ficar em casa.
Regresso dos assassinatos selectivos

A tensão agudizou-se na Faixa de Gaza depois de, no início da semana, as forças israelitas terem lançado dois ataques contra líderes de topo da Jihad Islâmica em Gaza e Damasco. O ataque levado a cabo na Síria falhou o alvo – Akram al-Ajouri sobreviveu aos mísseis lançados contra a zona residencial em que estava referenciado – mas o ataque de Gaza matou o comandante na região da Jihad Islâmica Bahaa Abu al-Ata e a sua mulher.

Dois dias após a eliminação de Abu al-Ata, o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros admitia oficialmente o regresso a uma política de assassinatos selectivos. Israel Katz já disse que esta é uma fórmula que deu provas da sua eficácia para deter a jihad e levar os seus líderes a pensar duas vezes antes de lançar ataques em território israelita.

Para o MNE israelita, uma prova da sua eficácia está no facto de o Hamas não se ter juntado à Jihad Islâmica na retaliação contra Israel após a morte de Abu al-Ata.

“Esta direcção já demonstrou ser correta”, declarou Israel Katz, sublinhando que há aqui uma mensagem clara, “não apenas para a Jihad Islâmica, [mas] para toda a região”.

Foi nessa lógica que esta sexta-feira o exército israelita voltou a visar elementos da Jihad Islâmica nos territórios logo depois do lançamento de rockets. Num comunicado conciso, o Tsahal fez saber que “está a atingir alvos terroristas da Jihad Islâmica na Faixa de Gaza”.

A aviação israelita terá atingido infraestruturas da organização onde seriam construídos componentes de armamento e um centro de comando das brigadas da Jihad na cidade de Khan Yunis.
Israel “engana-se” e mata família de oito

Entretanto, o exército israelita admitiu ter-se enganado quando visou uma casa que pensava tratar-se da habitação de um comandante da Jihad Islâmica responsável pelo fabrico de rockets. O homem, que teria o mesmo nome daquele militante, era o chefe de uma família de pastores. No ataque de quarta-feira morreu juntamente com duas mulheres e cinco crianças. A casa ficou em escombros.

As chefias militares israelitas falam num comandante da Jihad como alvo da operação, mas a defesa de Israel diz que o objectivo seria a destruição de uma “infraestrutura”. Foi já ordenada uma investigação a este incidente que veio a revelar-se trágico para a família de oito poucas horas antes do cessar-fogo entrar em vigor.

Na manhã seguinte, seria disparada da Faixa de Gaza nova série de morteiros contra Israel sem que ninguém assumisse a responsabilidade pelo ataque.

Com o acordo mediado pelo Egipto a entrar em vigor durante a quinta-feira, um porta-voz militar de Israel escreveu no Twitter que a operação “Black Belt” havia terminado, tendo sido cumpridos todos os seus objectivos.
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