Chefe do Governo eleito de Macau defende "linhas vermelhas" de Pequim

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O chefe do Governo eleito de Macau defendeu durante a campanha eleitoral que o respeito pelas "linhas vermelhas" definidas por Pequim garante a manutenção da semiautonomia do território, patente no princípio "um país, dois sistemas".

Ho Iat Seng, hoje eleito e cuja tomada de posse está prevista para 20 de dezembro, recusou a ideia de qualquer tipo de desvio, ao longo dos últimos 20 anos, da Lei Básica [mini constituição], que garante um elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, até 2049, sob o princípio "um país, dois sistemas".

"Estamos no 20.º ano depois da transferência de administração e o Governo [de Macau] trabalhou muito para garantir a manutenção de `um país, dois sistemas`", garantiu a 10 de agosto, em conferência de imprensa, após a apresentação do programa político ao colégio eleitoral de 400 membros, representantivos dos quatro setores da sociedade, que hoje elegeu Ho Iat Seng.

A Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) define os quatro setores como: industrial, comercial e financeiro; cultural, educacional, profissional; do trabalho, serviços sociais, religião; representantes dos deputados à Assembleia Legislativa e dos membros dos órgãos municipais, deputados de Macau à Assembleia Popular Nacional chinesa e representantes dos membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

"Temos uma boa relação com o Governo Central", reforçou o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Macau, recusando qualquer desvio deste princípio no território, ao contrário do que está a acontecer com os protestos em Hong Kong, na mais grave crise política desde a transferência de soberania do Reino Unido para a China, em 1997.

"Esse é o tal desvio, [Hong Kong] tocou em três `linhas vermelhas` do Governo Central", afirmou Ho Iat Seng, numa referência ao desrespeito pela soberania nacional e pelos símbolos do país, pelo desafio à autoridade do Governo central e à lei fundamental do território.

"Destruíram a bandeira, emblema nacional. Nenhum país permite a destruição do seu símbolo nacional e isso é também uma manifestação de desvio" do princípio "um país, dois sistemas", disse.

Em Macau, "todos esses princípios são respeitados", sublinhou.

Os protestos, que duram há mais de dois meses, focaram-se inicialmente na rejeição das emendas propostas pelo Executivo local à lei da extradição, que permitiriam a extradição de suspeitos para países sem acordos prévios com Hong Kong, como é o caso da China continental.

Os manifestantes exigem a retirada definitiva da lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial, a demissão de Carrie Lam, e sufrágio universal nas eleições para chefe do Executivo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

MIM (JMC) // JMC

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