China detém ex-diplomata canadiano, Canadá liberta Meng sob caução

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Meng Wanzhou com Valdimir Putin em 2014
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Um tribunal canadiano mandou libertar sob caução a directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou. Entretanto, as autoridades chinesas detiveram um antigo diplomata canadiano, no que se admite que tenha sido um acto de retaliação.

A filha do fundador da Huawei e directora financeira da multinacional chinesa de telecomunicações foi libertada contra uma caução de 10 milhões de dólares canadianos (o equivalente a 6,6 milhões de euros), por ordem de um tribunal de Vancouver, que deu provimento a um pedido dos advogados de defesa.

Além do pagamento da caução, Meng Wanzhou terá de entregar o seu passaporte, sujeitar-se ao uso de pulseira eletrónica e pagar a empresa de segurança responsável por controlar os seus movimentos, limitados a uma parte da cidade de Vancouver.

Meng deverá agora aguardar em liberdade a decisão judicial sobre a extradição que a Justiça norte-americana requereu e que poderá acarretar-lhe uma pena de até 30 anos de prisão. Os EUA invocaram alegadas violações da empresária chinesa contra a legislação norte-americana que, desde a denúncia unilateral dos acordos com o Irão por parte dos EUA, determina um embargo contra aquele país do Golfo.
Aparentemente, o presidente Donald Trump encara a possibilidade de usar a detenção de Meng como moeda de troca nas negociações com a China, a decorrerem durante a moratória de 90 dias combinada na cimeira do &-20, com vista a um acordo que ponha termo à escalada recíproca de medidas proteccionistas que já vem sendo descrita como uma guerra comercial entre os dois países. Com efeito, Trump afirmou em entrevista à Reuters que poderá intervir no caso de Meng se isso envolver interesses de segurança dos EUA ou se puder conduzir a um acordo comercial com a China.
Vingança chinesa?
Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros canadiano confirmou a detenção, em território chinês, de um antigo diplomata canadiano e disse estar em contacto permanente com as autoridades chinesas para obter esclarecimentos. Kovrig, antigo diplomata, deixou a carreira e desde fevereiro de 2017 estava ao serviço da ONG "Crisis Group", sediada em Bruxelas.

Também o ministro canadiano da Segurança Pública, Ralph Goodale, declarou estar a seguir o caso com grande preocupação e em contacto permanente com a família de Michael Kovrig, o cidadão canadiano detido. No mesmo sentido, pronunciou-se o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau.

Com a detenção de Kovrig ganham força os receios manifestados por empresários ocidentais na China, sobre a eventualidade de Pequim recorrer a medidas de retaliação pelo caso de Meng Wanzhou.

Por seu lado, Robert Palladino, um portavoz do Departamento de Estado dos EUA, declarou: "Os EUA estão preocupados com as notícias de um cidadão canadiano ter sido detido na China. Pedimos à China que ponha cobro a todas as formas de detenção arbitrária e que respeite as garantias e liberdades de todos os indivíduos, ao abrigo dos compromissos da China sobre direitos humanos e imunidades consulares".

A detenção do cidadão canadiano foi noticiada algumas horas antes da audiência do tribunal de Vancouver que acabaria por decidir a favor do pedido de liberdade sob caução apresentada pelos advogados de Meng Wanzhou.

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