Cidadãos democratas esperam mudanças após eleições intercalares

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Os democratas esperam "mudanças dramáticas" depois das eleições de 6 de Novembro nos Estados Unidos, para combater a situação "não americana" que se está a viver, segundo disseram os eleitores entrevistados pela Lusa em Nova Iorque.

Cidadãos presentes em vários locais de votos do 12.º distrito do Estado de Nova Iorque disseram à Lusa que não se sentem representados pela atual presidência de Donald Trump e pela governação republicana que, segundo eles, têm provocado muita divisão na sociedade.

"Há muita divisão no país, demasiado racismo e não foi assim que cresci e que a minha família está habituada", disse John Bricker, de 47 anos, à Lusa, acrescentando que quer mudanças porque se sente "desconfortável" com a política atual.

Num boletim de voto que incluía diferentes cargos municipais, estaduais e federais, neste que foi o primeiro ato eleitoral nacional depois das eleições presidenciais de 2016, John Bricker votou apenas nos candidatos democratas, assim como muitos eleitores com preferências partidárias o fazem.

A votante Britney Nivey, de 32 anos, dirigiu-se às urnas para marcar presença como mulher que não quer que os seus direitos lhe sejam tirados e que pretende aumentar a consciência sobre as famílias com menos poder económico.

Como John Bricker, Britney também disse sentir "uma enorme divisão e separação entre o Estado e comunidade", fazendo alusão a um "mundo de caos".

Para Mayer Gross, de 82 anos, os EUA estão a atravessar "uma situação muito difícil, uma situação muito `não americana`".

Na visão do veterano, o que falta nos EUA são políticos como no mandato do antigo Presidente Harry Truman (democrata, no poder entre 1945 e 1953) quando os republicanos ganharam o Congresso: "Tínhamos políticos que não eram apenas republicanos ou democratas, eram americanos".

Para além da divisão da sociedade, os pontos em comum que se encontram nas opiniões dos cidadãos entrevistados são o mau uso do poder por Donald Trump e sua recusa em colaborar com parceiros.

"Temos um Presidente que não colabora com ninguém", denunciou Mayer Gross, para concluir que o problema é "pessoas erradas obterem demasiado poder".

John Bricker está convicto que Trump não pode continuar a tomar decisões unilaterais e para isso tem de haver mais intervenção dos democratas no Congresso.

"Alguns republicanos seniores entregaram o partido ao Presidente e acho que isso conduziu a algumas más escolhas e uma má retórica", explicou Bricker, funcionário numa escola.

Uma das primeiras coisas que esperam do Partido Democrata, que poderá obter a maioria no Congresso federal, constituído pela Câmara dos Representantes e pelo Senado, é o acerto de contas com Donald Trump.

"Acredito e espero fortemente que eles [os democratas do Congresso] possam implementar algumas mudanças. Não sei se poderão fazer tudo num curto período de tempo, mas sinto que pelo menos, nós podemos começar esse efeito", partilhou Britney Nivey.

As eleições intercalares, que decorreram a meio do mandato presidencial de Donald Trump foram vistas como um referendo à presidência e foram descritas na comunicação social norte-americana como as eleições mais importantes em que os cidadãos alguma vez iriam participar.

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Bricker, Britney Nivey, Harry Truman, Mayer Gross,

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