Coreia do Norte confirma lançamento de míssil balístico e ONU convoca reunião de emergência

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Reuters

O Conselho de Segurança da ONU vai realizar esta quarta-feira uma reunião de emergência para discutir o lançamento de mísseis balísticos de submarinos por parte da Coreia do Norte. A notícia de lançamento do último míssil foi avançada na terça-feira pela Coreia do Sul e confirmada esta quarta-feira por Pyongyang.

A Coreia do Norte confirmou que testou, com sucesso, um novo míssil balístico a partir de um submarino na terça-feira.

O meio de comunicação estatal KCNA avançou que o míssil foi disparado por um submarino, o mesmo utilizado no primeiro teste estratégico de mísseis balísticos, em 2016. A Coreia do Sul tinha anunciado na terça-feira que o míssil partiu da localidade de Sinpo, no leste da Coreia do Norte, e voou cerca de 450 quilómetros, atingindo uma altura de 60 quilómetros.

Pyongyang tem levado a cabo vários testes com mísseis nas últimas semanas, lançando o que disse serem armas hipersónicas e de longo alcance. A imprensa estatal afirmou que a arma testada na terça-feira estava equipada com “muitas tecnologias avançadas de controlo e orientação”, o que pode dificultar a sua monitorização.

Os mísseis balísticos são considerados mais perigosos e ameaçadores do que os misseis de cruzeiro, uma vez que podem transportar maior peso, têm mais alcance e são mais rápidos. Por esta razão, os testes com mísseis balísticos e com armas nucleares são proibidos pelas Nações Unidas.
Reunião de emergência da ONU
O lançamento deste novo míssil motivou a convocação de uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU. A sessão, que irá ocorrer durante a tarde desta quarta-feira à porta fechada, foi solicitada pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos da América.

Enquanto isso, chefes de inteligência sul-coreanos, japoneses e norte-americanos estão reunidos em Seul para discutir a Coreia do Norte. O enviado dos EUA à Coreia do Norte, Sung Kim, apelou novamente para o reinício das conversações bilaterais.

Ainda esta semana, Sung Kim reiterou a posição do Governo do presidente dos EUA, Joe Biden, de que está aberto a encontros com Pyongyang sem pré-condições.

As negociações anteriores entre os EUA e a Coreia do Norte foram suspensas devido a divergências fundamentais sobre desnuclearização, que não permitiram chegar a um acordo. Os EUA querem que a Coreia do Norte abdique das suas armas nucleares antes de avançar para um alívio das restrições, mas Pyongyang recusou até agora.

Num comunicado lançado na terça-feira, o comando norte-americano do Indo-Pacífico disse estar ciente do último lançamento de um míssil balístico por parte da Coreia do Norte e que trabalharia em estreita colaboração com os aliados regionais para monitorizar a situação.

"Os Estados Unidos condenam essas ações e apelam à Coreia do Norte para se abster de novos atos desestabilizadores", lê-se no comunicado. "O compromisso dos EUA com a defesa da (Coreia do Sul) e do Japão continua de pé", acrescenta.

Do lado de Pyongyang, por sua vez, o dirigente norte-coreano responsabilizou, na semana passada, os EUA pela tensão na península coreana e afirmou que Washington é a "causa profunda" da instabilidade na região.

c/agências
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