Covid-19. Alemanha prepara-se para tornar vacinação obrigatória e anuncia novas restrições

por RTP
John MacDougall - Reuters

Na Alemanha, a vacinação contra a Covid-19 poderá ser obrigatória a partir do próximo ano, anunciou esta quinta-feira a chanceler alemã, Angela Merkel. Em paralelo, serão também impostas medidas mais restritivas para a população não-vacinada, que ficará impedida de aceder a grande parte de serviços de cultura e lazer.

A decisão foi anunciada esta quinta-feira durante uma conferência que juntou a atual chanceler Angela Merkel e o sucessor, Olaf Scholz, que deverá ser eleito no Bundestag na próxima semana.

Merkel e Scholz concordaram na elaboração de um projeto de lei para tornar a vacinação obrigatória. O documento será submetido ao Parlamento para entrar em vigor entre fevereiro e março.

Os dois líderes chegaram também a acordo com os representantes dos 16 Estados federados da Alemanha para impedir o acesso da população não-vacinada a vários serviços de cultura e lazer, com a exceção apenas de estabelecimentos essenciais como supermercados, farmácias ou padarias.

Este novo sistema proíbe o acesso de população não-vacinada a bares, restaurantes, teatros, cinemas, recintos desportivos ou comércio não essencial. Para além disso, os não-vacinados ficam também limitados ao contacto no máximo com duas pessoas fora do seu agregado familiar.

A Alemanha, a braços com uma nova vaga da pandemia, conta até ao momento com 68,7 por cento da população vacinada (80 por cento da população adulta). Nos últimos dias, os números da Covid-19 no país estabilizaram, mas continuam alarmantes, com muitos hospitais a aproximarem-se de um ponto de rutura. A emergência de uma nova variante, a Ómicron, só veio adensar ainda mais os riscos de sobrecarga dos hospitais nos próximos dias.

"A quantidade de trabalho dos hospitais está a atingir limites", alertou Angela Merkel. A chanceler alemã apelou à vacinação e diz que as novas regras são "um ato de solidariedade nacional" com o objetivo de reduzir o número diário de novas infeções.

Olaf Scholz, que deverá suceder a Angela Merkel a partir da próxima quarta-feira, reconhece que a situação de saúde no país é "muito, muito difícil" e que os números de infeção estabilizaram "mas a um nível demasiado elevado". Esta quinta-feira a Alemanha registou mais 73 mil novas infeções e 388 mortes por Covid-19.

O futuro chanceler alemão referiu ainda que a prioridade agora é "convencer quem ainda não se vacinou". O Governo de Merkel e Scholz pretendem administra mais 30 mil doses de vacinas até ao Natal.
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