Covid-19. Presidente do México vai pedir um empréstimo de vacinas a Biden

por RTP
Tomas Bravo - Reuters

O presidente norte-americano, Joe Biden, e o seu homólogo mexicano, Andrés Manuel López Obrador, vão participar numa cimeira virtual na próxima segunda-feira onde Obrador deverá pedir a Biden que considere partilhar vacinas contra a Covid-19 com o seu vizinho mais pobre a sul.

Segundo avançou um responsável do Governo mexicano à agência Reuters, Lopez Obrador pedirá um empréstimo de vacinas aos EUA, que será pago quando as doses prometidas nos contratos forem entregues ao México.

Esperamos verdadeiramente que isso aconteça”, disse um funcionário da Casa Branca à Reuters. Os responsáveis dos dois Governos esperam que o pedido seja apresentado na próxima segunda-feira, quando Obrador e Biden estarão reunidos numa cimeira virtual.

Da parte de Washington, fontes da Casa Branca revelaram à agência que o presidente Joe Biden está disponível para discutir o assunto como parte de um esforço regional alargado de cooperação na luta contra a pandemia da Covid-19, mas manterá como “prioridade número um” a necessidade de vacinar primeiramente o maior número possível de norte-americanos.

Assim que tivermos a pandemia sob controlo, teremos de abrir as nossas fronteiras. Mas não podemos abrir as nossas fronteiras se o Canadá e o México não tratarem da pandemia de uma forma semelhante”, explicou a fonte norte-americana à Reuters. “Portanto, a colaboração com o México é uma prioridade”, sublinhou.

Obrador tem sido um dos líderes mais expressivos quanto à distribuição de vacinas, pressionando os países mais ricos a melhorar o acesso das nações mais pobres às vacinas. O presidente mexicano apelidou o atual sistema de distribuição de “totalmente injusto”.

Segundo avançou o jornal mexicano Proceso, Lopez Obrador levantou a questão do empréstimo a Biden durante uma chamada telefónica em janeiro, logo após a tomada de posse do novo presidente dos Estados Unidos.

Na agenda do encontro estarão ainda "questões de cooperação sobre migração, esforços conjuntos para o desenvolvimento do sul do México e da América Central, recuperação da covid-19 e cooperação económica", de acordo com um comunicado divulgado na sexta-feira pela Casa Branca.
Vacinação atrasada no México
O programa de vacinação no México foi atrasado pela distribuição lenta de doses. Com as entregas da farmacêutica Pfizer em atraso, o México procurou compensar ao encomendar vacinas da Rússia (Sputnik V) e da China (Sinovac).

Do total de 126 milhões, pouco mais de 1,8 milhões de mexicanos receberam já a primeira dose da vacina, ou seja, apenas 1,4 por cento da população. Desde o início da pandemia, o México registou 185 mil mortes por Covid-19 e mais de dois milhões de casos confirmados.

Durante a administração Trump, o México passou por uma relação difícil com os EUA, embora Obrador tenha conseguido moldar uma parceria mutuamente benéfica com o presidente republicano, enquanto os dois trabalhavam para conter a migração da América Central.

Com a nova administração, Biden está agora a tentar desfazer o que a Casa Branca apelidou de políticas de imigração “draconianas” da era Trump. Recentemente, a Casa Branca revelou o projeto de lei da nova administração que visa abrir caminho para a neutralização de onze milhões de imigrantes em situação irregular, possibilitando a reunião de famílias que foram separadas quando tentavam atravessar a fronteira.

c/agências
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